A cantora Floor Jansen confessa à Flair: Eu pensei que o metal fosse uma música horrível.
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Floor Jansen (39) percorre o mundo como vocalista da banda de metal Nightwish, e recarrega suas energias em sua casa na floresta, na Suécia. Quando ela participou do ‘Beste Zangers‘, no ano passado, a Holanda finalmente pôde conhecê-la. “De alguma forma eu gosto disso, estranho, certo?”
No começo, ela não conhecia o programa do qual havia entrado na Holanda, nem os outros artistas que participaram. Ela vive com o marido sueco, Hannes – com quem teve uma filha em 2017, a Freja – na Suécia há 5 anos e não assiste à televisão holandesa. Então por que ela participou? Ela ficou impressionada com tudo aquilo que viu. Além disso, havia uma boa chance de deixar as pessoas curiosas sobre o metal em geral, e em especial, o Nightwish. No último episódio, ela cantou The Phantom of the Opera de um jeito incomparável com Henk Poort, e foi divulgado no mundo inteiro. E agora toda a Holanda sabe quem é Floor Jansen.
Ela está sentada e relaxada em uma das cadeiras no salão. Jaqueta jeans, calça jeans e longos cabelos escuros. As pessoas ao seu redor estão ocupadas ligando ou trabalhando em seus notebooks. No meio, Floor em um estado de paz interior. Ela bebe chá, fala baixinho, quase que com vergonha. Ela fala sobre o quão boa é a Suécia. Sobre a sua casa isolada na floresta. É parecido como Limburg, onde ela passou a maior parte de sua juventude.
Limburg não teria sido uma opção? Hannes e eu, morávamos na Finlândia quando nos conhecemos. Eu me mudei para lá porque o Nightwish é uma banda finlandesa. Embora eu cante em inglês, eu queria aprender o idioma, e funciona melhor se você se aprofunda nele. O finlandês é muito difícil e eu nunca aprendi falar direito. E claro, não ajuda quando se tem um homem sueco. Hannes sentia falta da Suécia e, como eu já estava acostumada com a paz e o espaço da Finlândia, nos mudamos para lá. Agora temos uma casa muito bonita no campo. Com um cachorro enorme, gatos e minhas duas éguas. Quando decidimos morar nesta casa, ela tinha um pedaço de terra enorme em volta, imediatamente eu disse que gostaria de ter cavalos. Era o sonho da minha garota.
Você sofreu bullying quando era jovem, e você o chama de período sombrio. Estar com cavalos era um jeito (temporário) de ficar longe disso? Como nós nos mudávamos muito, sempre fui muito diferente |buitenbeentje|(qualquer pessoa independente, com idéias e comportamentos muito diferentes das outras pessoas). Eu falava e agia de um jeito diferente das crianças da minha classe, eu era alta. Meus pais íam muito à escola, mas sempre me diziam que não podiam fazer nada. Eu ainda fico brava com isso, porque você está basicamente dizendo: “Boa sorte pra você, se resolva.” Então sim, de certa forma era uma válvula de escape.
A música era um caminho também. Até certo ponto, foram as duas coisas para qual eu corria. Meu teste vocacional, além da escolha profissional também revelou esportes e equitação. Eu realmente queria ir para o conservatório, até que eu entendi sobre o canto, que era ou muito clássico, ou jazz.
Nenhum deles deu em nada. Foi por isso que acabei indo para o centro de equitação (Hippisch Centrum). E foi incrivelmente difícil. Acabei terminando no HAVO (Um tipo de ensino preparatório específico de NL, dividido em 4 fases, sendo o Havo o terceiro nível) e tive que trabalhar duro todos os dias. Alguns músculos do meu corpo ficaram tão duros que o fluxo sanguíneo dos meus braços não funcionava corretamente. Eu tive uma leve perda nas mãos, tanto que mal conseguia dirigir, porque deixava as rédeas escorregarem das minhas mãos o tempo inteiro. E já não era mais divertido. Foi então que eu soube que haveria a Rock Academy, do qual me matriculei imediatamente.
Seus pais se surpreenderam por você ter feito isso? Acredito que não. Eu também estava fazendo musicais na escola, então nada ocorreu de repente. Acredito que tenha sido um aperto no coração por ser algo tão incerto. Mas eles sempre estiveram ali por mim. Eles disseram: “Você é talentosa, você precisa fazer algo com isso.” Meu pai toca guitarra e também canta. Mas ele é mais dos blues. Minha irmã Irene também cantou em uma banda de metal por um tempo e nós nos apresentamos juntas. Mas eu sou a única da família que o fez funcionar.
Você entrou imediatamente no metal? No geral, eu realmente não gostava. Um amigo meu ouviu e eu pensei: “Nossa, mas que música horrível é essa?” Eu ainda estava desenvolvendo o meu gosto musical. Na primeira banda em que cantei na escola, era de pop/rock. Eu gostei bastante de grunge, mas apenas para ouvir. Só quando eu me mudei para Limburg, tendo amigos que ouviam diferentes bandas de metal, que eu pude ver a beleza de tudo isso. Não são apenas gritos ou guitarras gritando. A música que nós fazemos com o Nightwish é repleta de nuances, que contém o pop, folk, rock, passagens sinfônicas, é muito acessível e melódico. É o tipo de metal que para mim, é a combinação final entre a música pesada, sentimentos puros e o vocal feminino.
O metal é o mundo dos homens. Como isso funciona para você? Eu entrei neste mundo logo após o colégio. Eu não sei dizer, só trabalho com homens e me sinto bem, funciona bem. Os homens são bem diretos, não há confusão. Eu nunca penso: quais são suas intenções secretas? À medida em que fui ficando mais velha, percebi que sinto falta de uma companhia feminina. Apenas porque as mulheres olham as coisas de um jeito diferente, e isso as vezes é um alívio ainda mais quando se está cercada apenas por homens. Por isso que foi legal ter minha amiga em turnê como babá. Tivemos muitas conversas diferentes. E ela também percebia quando eu não estava confortável com algo, e imediatamente perguntava como eu estava. Os homens não perguntam isso rapidamente, ou as vezes nem percebem.
Ao participar do “Beste Zangers”, você esperava que mais pessoas ouvissem sua música. Funcionou? Sim. Nossos shows na Holanda esgotaram imediatamente. E o bom é que funcionou para ambos os lados. Inúmeras pessoas que ouvem a minha música, abraçaram a música do Henk Poort. E o que me deixa feliz em especial é que eu tenho sido capaz de mostrar que o metal não é algo apenas satânico, ou cantado apenas por homens furiosos gritando.
Agora você pensa: Finalmente conhecida na Holanda Haha, eu gosto disso. De certa forma me incomodou sermos conhecidos em todo o mundo, e se quer teve um espaço na Holanda.
A dona dos pulmões de ouro que enche áreas, Floor Jansen, fala sobre o nono álbum, a quarentena sueca e porque o maior conservador do meio ambiente do mundo recusou um pedido da banda.
Com a exceção do Rammstein – e nós só estamos colocando eles no topo porque eles tem o próprio lança chamas e nós não – nenhuma banda de metal europeia pode rivalizar com o sucesso do Nightwish no continente.
Formada em Kitee, Finlandia em 1996 pelo tecladista Tuomas Holopainen, a banda deu boas-vindas à cantora holandesa Floor Jansen em 2012, no momento em que eles já tinham gravado 7 albums em toda sua carreira. A adição fez com que a banda de metal sinfônico ficasse maior, mais grandiosa, mais cara e mais ambiciosa. Ela tem uma presença tão marcante que ela se tornou uma personalidade da TV holandesa, aparecendo no programa de talentos musicas Beste Zangers.
Seu nono álbum, o incrível “Human. :ll: Nature.” é o primeiro lançamento duplo, a segunda metade contém uma grandiosa musica orquestral por cima do centro metaleiro da banda. Escute aos momentos mais altos “Harvest”, “How’s the Heart?” e “Noise” – raramente uma banda moderna de metal fundiu tamanho poder e gloria. E apesar do lançamento na mesma época da pandemia do COVID-19, o álbum entrou nas paradas da Finlandia, Espanha, Suíça e Alemanha no primeiro lugar.
Com isso em mente, nós decidimos conversar com uma das bandas favoritas da Europa de heavy metal. Nosso guia durante essa conversa será Floor Jansen com seus pulmões imensos. Ela irá rugir e você irá se tremer!
Olá, Floor. Posso te dizer que eu realmente gosto do álbum novo do Nightwish? Há tanta miséria e podridão em todos os lugares atualmente, mas mesmo assim o seu álbum é tão ornado, grandioso e – me atrevo a dizer – esperançoso… “Nós realmente queríamos passar isso. Há tantos instrumentos diferentes no álbum e há tantas partes diferentes. Nightwish tem uma musica bem complexa então foi importante para nós que tenhamos emoções reais nas canções, algo que atravesse tudo. A dinâmica foi realmente importante para nós. As canções precisavam de espaço. As vezes o que você não coloca numa música é tao importante quanto o que você coloca. Há 9 músicas nesse álbum e 8 peças orquestrais. Sem essa dinâmica, seria uma escuta muito cansativa.”
Podemos voltar um pouco? Não é nenhum exagero dizer que a sua voz é incrivelmente maravilhosa. Como você descobriu que podia cantar assim? Eu acho que foi quando eu era adolescente. Teve uma produção na escola de Joseph and the Amzing Technicolour Dreamcoat e eu participei da audição. Eu não peguei um papel muito importante. Você sabe como é – as crianças populares pegam os melhores papéis e eu não era uma delas. Mas só de estar no fundo, eu adorei. Eu não sabia que eu era boa, porém. Eu era muito provocada durante a escola, então a minha confiança era bem baixa.
Você quer que a gente desça a porrada em alguém? Por que te provocavam? “Eu era mais alta que todos e meu dialeto era diferente. Eu era só… diferente.”
Você acha que essa experiência teve algum impacto à longo prazo em você? Eu acho que sim… mas para ser honesta, apenas positivamente. Eu não posso dizer que sinto falta desses anos e certamente não sinto falta das pessoas que faziam isso, mas eu acho que me ajudou a ter mais confiança em mim mesma pela minha vida adulta. Eu não quero que a minha filha [Freja de 3 anos] tenha que passar por isso.
Você tem aquele sentimento de vingança clássico quando você está no palco na frente de milhares e milhares de pessoas gritando o seu nome e pensa, “Bem, eu ganhei, não?” O tempo todo. Principalmente agora que eu estou nesse programa de TV holandês que aumentou significativamente a minha popularidade nos Países Baixos. As vezes eu me pergunto se aquelas pessoas lembram de mim e não perco muito tempo pensando nelas. Voce tem que viver para si mesmo – Eu tenho quase 40 anos, vocês sabem!
Me fale mais sobre o programa de TV. Eu amo o nome! Beste Zangers! “É traduzido como Melhores Cantores! Não é uma competição ou coisa do tipo. É um compilado/coleção de cantores com diferentes estilos e origens que cantam a música de um para o outro, ou colaboram em versões de covers que nos inspiram. É um show muito legal, e é tudo sobre o amor pela música. É televisivo em um sábado a noite no horário nobre e mudou completamente a minha vida! E também beneficiou o Nightwish. Já estávamos indo bem na Holanda e tocando em arenas, mas definitivamente aumentou o nosso perfil, o que é brilhante pra mim, depois dos 24, onde ninguém do meu país havia prestado atenção em mim!”
O novo álbum do Nightwish foi lançado no dia 10 de abril, tornando-se um pequeno número de bandas que podem atestar a realidade de lançar um álbum no epicentro de uma pandemia mundial. Como foi isso? “Fomos uma das primeiras bandas que tiveram que cancelar uma turnê. Na verdade, deveríamos começar na China. Eu deveria estar lá agora. Muito cedo nós percebemos que a turnê não iria acontecer, mesmo com a doença estando contida em certo ponto em um continente. Então, sendo mundial, resultou em algo ainda maior e uma pandemia aconteceu. Eu ainda não acredito que isso aconteceu. Parece tão incrivelmente desnecessário…”
Estou detectando que você tem uma opinião sobre como tudo isso aconteceu? Você mora na Suécia, certo? “Eu moro. Eu emigrei há cinco anos, da Holanda.”
A abordagem sueca em lidar com o vírus tem sido muito liberal – não houve bloqueio em massa, como houve em outros lugares do mundo. Você acha que eles decidiram pela abordagem certa? ” Em partes. Em contrapartida, não sou cientista, então o que eu sei? É tudo sobre seguir a ciência.
Gostaria de lembrar que há uma espécie de besouro com o seu nome. No ano passado, o cientista Andreas Weigel nomeou o recém-descoberto inseto Tmesisternus floorjansenae. É justo dizer que você tem mais credibilidade científica do que qualquer outro cantor de heavy metal… “Okay – bem, de muitas maneiras a abordagem sueca faz sentido pra mim. A Suécia é um país grande, mas não com muita gente. Me faz sentido que a abordagem seria diferente do Reino Unido ou voltando para a Holanda. Então, novamente, uma cidade grande é uma cidade grande, seja na Suécia ou em qualquer lugar, e se as pessoas das cidades começam a se mudar, então eu acho que temos que ser cuidadosos. Durante a Páscoa havia pessoas em todos os lugares perto de onde eu moro, no lado do país Gotemburgo, ao lado do mar. A Suécia é um país grande o suficiente para que as pessoas não fiquem trancadas – mas você vai em um lugar turístico mesmo assim? Eu não entendo, é estúpido.
Falando em espaço, você é casada com o Hannes Van Dahl, o baterista obcecado pela história militar, o titã do metal sueco, Sabaton. No palco ele toca bateria dentro de um tanque de guerra. Acredito que vocês tenham coisas militares incríveis espalhadas por toda a casa, certo? “Oh, em todos os lugares. Por toda a casa.”
Sério? “Não!”
Ouvi dizer que você tem cavalos. Não me parece justo que você tenha cavalos, já que seu marido não pode ter um tanque de guerra no jardim… “Ah, ele não se importa. Cavalos são melhores do que a guerra. Eu tenho duas – Lily, nome da minha mãe, e a Auri, em homenagem aos meus colegas de banda, Tuomas [Holopainen] e o Troy [Donockley], em seu projeto paralelo – e também de uma personagem da série As Crônicas do Matador do Rei, série de romance e fantasia, do Patrick Rothfuss.”
Acho que é justo dizer que você não é o único membro do Nightwish que ama a natureza. A banda acabou de se unir à instituição de caridade World Land Trust. Nos fale sobre isso… Eles são uma grande organização O vídeo lançado de nossa última música, “Ad Astra”, foi filmado em conjunto com eles. Eles trabalham para preservar o nosso planeta comprando áreas de terra e preservando-as. Acho hipócrita que estejamos dizendo ao Brasil que eles precisam salvar sua floresta tropical, quando os europeus dizimaram a sua própria. Mas, ao mesmo tempo, precisamos salvar a floresta tropical afinal, estamos enfrentando uma crise climática. O World Land Trust trabalha com o governo para encontrar saídas financeiras alternativas para que as pessoas locais parem de desmatar. Você não pode simplesmente dizer às pessoas “Pare de fazer isso”. Você precisa levar em consideração o impacto humano, e então ambiental. Descobrimos sobre eles através do David Attenborough que é um dos maiores apoiadores”
Por favor, me diga que ele é um fã… “Tentamos fazê-lo falar no álbum. Escrevemos uma carta e ele escreveu uma de volta, negando, mas era muito impressionante que um homem de sua estatura escrevesse pessoalmente para nós e explicasse que ele simplesmente não teria tempo agora.”
Você não pode gostar de todos os animais, Floor. Deve existir um que você gostaria que estivesse destacado na face da terra… “Não! Eu amo todos eles. Eu amo gatos. Eu amo cachorros. Eu amo pássaros em todo o seu esplendor!
Ah, vamos lá … “Ok, ok … Eu realmente não gosto de caracóis. Nós cultivamos vegetais e eles comem minha colheita. Eles são nojentos. Mas eu não desejo a morte deles! Eu só queria que eles fossem para outro lugar!
Floor Jansen já cantou em duas bandas de metal sinfônico. Ela foi a vocalista da banda After Forever e atualmente é a vocalista na maior banda do gênero – Nightwish, então é de se esperar que sua preferência musical fique ligada a corais e orquestras.
Mas quando pedimos que ela listasse as bandas, músicas e álbuns que mudaram sua vida, ela nos trouxe muitas surpresas.
The Gathering – Mandylion
Esse álbum foi a razão de eu começar a formar na minha cabeça a ideia de fazer parte de uma banda de metal. Há uma canção nele chamada Strange Machines e ela tocava na rádio quando eu comecei a me interessar por metal.
Foi a combinação desse estilo de vocais femininos com guitarras pesadas. A voz da Anneke van Giesbergen era simplesmente… uau para mim e ouvi-la cantando esse tipo de música, foi tipo, ‘sim, é isso que eu quero’. Para mim, o interesse no estilo de cantoras femininas começou com Anneke van Giesbergen e Mandylion.
Joseph And the Amazing Technicolour Dreamcoat
Esse álbum mudou minha vida porque me mostrou que eu podia cantar. Foi um musical q fizemos em nossa escola e eu estava nele. Eu devia ter 12 anos. Na verdade, houve audições e eu participei querendo o papel de narrador que era um dos principais e um dos personagens que cantavam mais. E eu consegui, apesar de dividir o papel com duas outras meninas.
E, de repente, eu percebi que podia cantar. Eu era a criança que era sempre provocada, mas, naquele grupo, eu descobri que podia ser eu mesma. Recentemente que me reuni com os dois professores que estavam por trás da coisa toda. Foi fantástico encontrar com eles de novo e pensei que, se eles não tivessem investido tanto de seu tempo em nós para fazermos música, quem sabe se eu teria descoberto que eu queria cantar, que eu posso cantar e que eu nasci uma cantora?
Eu era o ratinho detetive quando criança. Eu era a estranha. Por que eu ia querer estar no palco? Mas assim que estive lá pela primeira vez, eu pertencia a ele.
Pantera – Vulgar Display Of Power and Machine Head – Burn My Eyes
Pantera e Machine head foram as duas bandas que me trouxeram para o metal. Eu devo ter ouvido outras coisas antes deles quando eu ouvia grunge, mas era pesado demais para mim – eu sentia falta da melodia. Era somente música difícil, pesada e sem dinâmica.
Eu sinto falta de alguma coisa vocalmente falando nas duas bandas, mas eu gosto da energia nesse tipo de metal. Elas são ambas bandas melódicas e muito legais. Eu ouvia quando era adolescente e, embora eu não ouça muito Machine Head agora, Pantera se tornou algo atemporal para mim.
Nightwish
Eu não me lembro quando ouvi Nightwish pela primeira vez ou em qual álbum eles estavam quando eu comecei a ouvi-los. E eu não consigo dizer um álbum do Nightwish que tenha sido tão importante a ponto de ter mudado minha vida, mas sair em turnê com eles em 2002 com o After Forever como banda de abertura, isso sim mudou minha vida.
Eu queria fazer o que eles estavam fazendo. Aquilo me motivou, me deu um propósito. Me lembro que o ano era 2002, estávamos começando nossa primeira turnê europeia e dividimos nosso ônibus com parte da equipe do Nightwish. Tony e Ewo (manager do Nightwish) eram essas caras Finlandeses grandões. Ambos são extremamente altos, de ombros largos, gigantes que falam baixo e então eles entraram e explicaram as regras básicas de uma turnê conjunta.
Estávamos ouvindo-os como se fôssemos um bando de crianças de escola. Estávamos com medo, mas eles começaram a falar com suas vozes baixas e eu percebi que eles eram caras super legais. E tudo fez sentido. “Não sejam babacas, vamos beber bastante e se divertir”. E fizemos isso!
Russell Allen [Symphony X singer]
Ele é simplesmente meu cantor favorito no metal. A voz dele é tão diversa, ele consegue transmitir emoção pela voz tão bem. A interpretação dele de uma letra faz você sentir a letra, independente de seu significado- mesmo que seja sobre salvar o mundo, “aqui vem o demônio…” ou merdas que eu pessoalmente não gosto.
Ele consegue fazer uma banda bem progressiva com solos intermináveis se tornar algo compreensível através de suas linhas vocais. Quer dizer, eu gosto de prog, eu só não curto ouvir solos intermináveis, especialmente nos teclados quando simplesmente soam como quem quer dizer “Eu consigo tocar muitas notas muito rápido” E aí vem o Russel e junta tudo com linhas vocais que fazem completo sentido em partes realmente complicadas, com aquela voz que consegue dar cor a música de forma interminável.
Somos amigos desde que o conheci em 2002. Ele é 9 ou 10 anos mais velho que eu, ele tinha 31 e eu 21. Ele é Super Americano e eu sou Super Holandesa e ele realmente me causou uma grande impressão.
Skunk Anansie – Paranoid And Sunburnt
Eu já disse que adoro vozes poderosas e… que mulher. Eu acho tudo sobre ela fascinante. Lá vem ela (Skin, vocalista do Skunk Anansie), com sua cabeça raspada e sua cor negra, gritando com raiva e, por Deus, ela é bissexual. Ela jogava na cara, tipo ‘eu não me importo com o que vocês pensam”. Eu gosto da maneira como ela é aberta, direta e sua voz maravilhosa.
Ela faz as coisas soarem tão fáceis quando ela as canta, daí você vai e tenta e descobre que não são fáceis. Se manter poderosa e no controle daquele jeito é bem difícil. Voz fantástica, escritora de músicas fantástica, performances fantásticas. Weak as I am–tente cantar isso do começo ao fim com a voz sem aquecer. Isso foi um desafio.
Alanis Morrisette – Jagged Little Pill
Eu a vi recentemente num documentário sobre pessoas super sensitivas. Alguém o recomendou para mim porque eu também sou uma pessoa super sensitiva. Nós somos apenas conectados de maneira diferente. Tem algo diferente em nossos cérebros, então percebemos o mundo de maneira diferente. Por isso eu fui tão provocada, por ser uma criança diferente e porque certos ambientes não funcionam para mim.
Você é mais sensitivo às emoções de outras pessoas, ao cheiro, ao som. Nesse documentário ela fala sobre isso como se estivesse falando para mim. As experiências dela são muito parecidas com as minhas. O fato de que ela escreve músicas, de que ela está fazendo o que quer fazer e tem feito isso por toda sua carreira fez dela um exemplo para mim.
Roxette – Look Sharp
Esse álbum me fez cantar. Sentada no carro, viajando em família, essa é a lembrança mais vívida que eu tenho, deve ter sido muito tempo atrás. Minha irmã e eu íamos no banco de trás, cantando junto com a música. Sabíamos toda a letra. Se mudou a minha vida não sei, mas certamente regou as sementes para que eu cantasse.
Havia muita música de metal que não era divertido cantar. Eu gosto de Pantera, mas não vou cantar junto. Eu gosto de Machine Head e Sepultura. Mas é a mesma coisa com essas bandas. Marie Frediksson (vocalista do Roxette) morreu recentemente e ela causou um grande impacto em mim. Ela era tão para frente e sexy, mas não era vista como um símbolo sexual. Ela era vista como uma cantora, uma mulher forte, um exemplo a ser seguido.
Subtitles in english – Tradução: Head up High, my dear!
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“Eu moro aqui há 4 anos, e eu adoro. Se você viaja tanto quanto viajo, e está sempre cercado de pessoas sempre que viaja ao redor do mundo. eu encontro paz de verdade sempre que chego em casa. é um pouco mais fácil de encontrar paz aqui na Suécia.
Floor: Esta é a minha última noite aqui em casa.
Staff: Algo interessante que eu posso fazer? (funcionário da loja) Floor: Eu irei a Finlândia amanhã para a apresentação/audição do novo album do Nightwish e depois irei para a Holanda logo em seguida. Os outros irão viajar pela Europa por 4 semanas.
Nunca foi a minha ambição, mas eu no entanto sempre espero que as pessoas gostem de ouvir a minha música. Logo quando o rótulo de Metal caiu, a esperança meio que parou porque as pessoas sempre evitam o gênero. Mas agora eu tenho encontrado uma maneira para as pessoas que nunca escutariam a minha música, por conta do rótulo do Metal. Eu ainda não compreendo nada disso, mesmo pelo fato de estarmos já em 2020. Tantas coisas incríveis e divertidas aconteceram em 2019 e eu ainda estou me recuperando delas, e agora farei esses shows da minha carreira solo e quem sabe o que vai acontecer em seguida? Não tenho ideia!
Hannes Van Dahl: Eu sempre tive orgulho dela. Você trabalha há vinte anos, não é? Eu sempre tive orgulho. Você tem orgulho de mim? Floor: Muito! Ninguém cava buracos como você!
Cavalos! Vamos fazer algo divertido? Vamos cavalgar um pouco. Eu acho que o desenvolvimento da minha voz foi influenciado pelos meus desenvolvimentos pessoais, eu amadureci e estou aberta a outras coisas. O Nightwish me deu um impulso extra para continuar crescendo como pessoa e melhorar minhas habilidades. Quando eu estreei no Beste Zangers eu também comecei a cantar outros gêneros, tudo se encaixou quando isso aconteceu. Eu realmente pude cantar aquelas músicas com o meu coração e provavelmente melhor que antes, como a Shallow e até mesmo músicas do Nightwish e Vilja Lied por exemplo. Eu pude contar a história, graças ao meu crescimento pessoal. Eu tentei deixar as músicas como se fossem minhas, vindas do meu coração.”
FaceCulture: Uma coisa que eu pensei conforme eu assistia o programa, você teve meio que um feeling de “eu consigo cantar qualquer coisa que eu quero”? Floor Jansen: Bem, o programa realmente expandiu meus horizontes, digo, eu não acho que eu iria bem em um rap francês, por exemplo, e você não me veria fazer algo de hip-hop, mas eu realmente gostaria de experimentar, no sentido de que é interessante ser tão diversificada!
FaceCulture: E você mencionou o Tuomas, eu acho que você tem tido muitas coisas para fazer durante todo o processo do álbum novo nesse ultimo verão… Primeiro sobre o jeito que você compõe, porque dentro das próprias músicas, há muitos desafios para os cantores, nesse caso você, de usar a voz em diferentes técnicas… Então como é para você, ser capaz de usar todos esses estilos e essas técnicas na sua voz para as musicas? Floor Jansen: É ótimo, não poderia ser melhor porque é algo que eu tentava fazer nas minhas próprias bandas antes e especialmente no Revamp eu realmente tentei… “Okay, eu não sou capaz de fazer gutural ou de fazer screams… Será que consigo aprender? Consigo integrar essas técnicas no álbum?” E com o Nightwish é bem diversificado, é um novo desafio novamente agora com esse novo álbum… Eu canto de jeitos que eu imaginei que eu não seria capaz quando as primeiras idéias foram aparecendo, é tipo [cara espantada] “Okay, eu preciso estudar isso” [risos]…
FaceCulture: Então é realmente desafiador!
Floor Jansen: Sim, é muito desafiador. E não é só para eu aumentar minhas técnicas, eu também preciso desafiar meus colegas de banda – e o que sair disso, ótimo – e veremos o que podemos fazer ou não e como podemos fazer com que soe bom. E é aí onde a banda entra, e onde eu entro, onde a minha criatividade entra em ação e é um processo muito agradável, onde nós fazemos primeiro durante as primeiras semanas de ensaios, nós tentamos definir tudo do jeito que tem que ser e então nós vamos e gravamos. Esse é um ótimo jeito de trabalhar, e nós fizemos o mesmo no EFMB, e sim, é um enorme desafio!
FaceCulture: Eu tenho certeza que você não pode falar muito disso, mas o que você notou ou qual foi o feeling que você sentiu durante esse verão sobre o novo álbum? Floor Jansen: Foi ótimo, eu acho que todos estavam bem ansiosos para isso, e também porque depois do último álbum, primeiro nós tiramos uma folga e depois nós saímos na Decades Tour, onde ao invés de focar no novo material, nós voltamos no tempo o que é algo muito muito legal de se fazer, mas agora é o momento de algo novo. E voltar para o acampamento de verão onde estivemos anos atrás, é uma área tão gostosa de se estar, no meio do nada na natureza finlandesa… É um luxo, quão especial é poder fazer isso?
FaceCulture: E eu me lembro de falar com o Tuomas, quando ele estava em Auri, fazendo o Auri, e ele disse que fazer esse projeto meio que revitalizou a energia dele para o Nightwish… Você sentiu a mesma coisa com o Northward, e ter a possibilidade de fazer o que você faz melhor e criar sua filha… Ser capaz de fazer todas as essas coisas e agora voltar a se concentrar no Nightwish de novo.
Floor Jansen: Sim, absolutamente, foi legal ter tido um tempo para me concentrar em algo que eu mesma escrevi, mesmo que eu me sinta muito parte do Nightwish – eu estou sempre sendo desafiada, mas Northward era música que eu ainda tinha, já tinha sido escrita, eu não teria tempo no momento… Tempo e paz mental para escrever um álbum inteiro mas foi fantástico de usar as coisas que tínhamos e finalizá-las; e claro isso vem com toda uma nova carga de energia criativa… Todos os passos criativos foram ótimos, e também o tempo que eu tive para criar a minha filha – ela tem apenas dois anos e meio então o processo de criá-la ainda não acabou [risos] – especialmente nesses dois primeiros anos é legal ter mais tempo em casa e eu tenho levado ela nas turnês também, então nós experimentamos como é combinar esses dois mundos… Ela estava comigo no acampamento de verão… Foi fantástico! É a melhor combinação dos mundos, de verdade!
FaceCulture: Talvez essa seja uma pergunta estranha, mas como que é um dia comum nesse acampamento de verão? Como que é um dia Nightwish? Floor Jansen: Bem, a música é muito intensa, então pode-se dizer que começamos as 9 e paramos as 5, então são muitas horas de trabalho intenso. Depois paramos para almoçar e comer alguma coisa, então trabalhamos um pouco mais. Depois é hora de ir para a sauna e comer algumas salsichas veganas – muitos de nós não come carne. Então, super relaxado!
FaceCulture: Você disse que tudo está praticamente pronto, que só falta masterizar ou mixar, mas então tudo está praticamente feito… Floor Jansen: A gravação por parte da banda já está feita. Então nós estamos terminando o resto…
FaceCulture: Então você sabe que tipo de música estará lá. Como você acha que as pessoas reagirão ao que vocês fizeram? Floor Jansen: Eu não sei! Veremos isso ano que vem. Digo, o lançamento está marcado para a primavera do próximo ano… Eu só posso dizer que eu acho que nós fizemos um novo álbum muito legal, eu estou muito muito feliz com isso… Já nas primeiras notas das músicas eu pensei “Oh yeah, lá vamos nós!”… É o tanto de Nightwish que vocês podem esperar da gente, no sentido de “wow, o que está acontecendo agora?” Então, eu não posso dizer muitas coisas, porque há algumas coisas que são o mesmo e há algumas coisas que são diferentes, então tudo que eu posso dizer é que eu estou muito feliz com o resultado, e eu acho que as pessoas que já conhecem o Nightwish vão gostar muito! Talvez as pessoas que estão conhecendo aqui na Holanda talvez digam “Hey! Agora que sabemos quem é Floor Jansen e agora ela está vindo com um novo álbum, vamos descobrir como que é!”
FaceCulture: Última pergunta. Com isso em mente, você está fazendo alguns shows solo aqui na Holanda e todos esgotaram imediatamente… Floor Jansen: Mas, boas notícias! Nós anunciamos um segundo show!
FaceCulture: E pelo o que eu vi, está vendendo rapidamente! Floor Jansen: Os números… Sim, são muito impressionantes.
FaceCulture: Sim! Com isso em mente… Você está animada para tudo isso começar de novo? Floor Jansen: NÃO…. [risos] Sim, absolutamente!
FaceCulture: Porque eu consigo imaginar, já que será um trabalho enorme! Floor Jansen: Sim, digo, nós estamos animados e já estamos trabalhando com as coisas que acontecerão com o Nightwish ano que vem e todas as idéias para o show, quando e onde… Foi engraçado que meu foco nisso foi total – é o que eu faço para viver – então o que está acontecendo agora na Holanda vem como algo a mais disso. “Será se eu tenho tempo para isso?” – para começar com uma pergunta livre de ego e muito prática. Porque é ótimo quando todos falam “ooh isso é ótimo, nós queremos ver mais de você e você fará show solos?”… Bem, sim! Mas quando? Mas ai eu pensei “bem, eu tenho uma janela entre os compromissos com o Nightwish, não só para fazer os shows solo mas também para prepara-los”. É muito, mas eu estou muito feliz que eu topei fazê-los e estou mais que surpresa que tudo esgotou tão rápido quanto aconteceu… Mas é bem difícil fazer mais porque eu estou simplesmente numa turnê mundial com o Nightwish, e o mundo é um lugar enorme! E eu ainda tenho uma criança de dois anos e meio em casa que eu não posso levar em todas as viagens – ela precisa poder ser uma criança e ter aquela vida, e eu quero estar com ela, ela será uma criança por apenas uma vez. Então eu tenho o problema luxuoso de muitas coisas estarem acontecendo ao mesmo tempo. É um quebra-cabeça interessante.
FaceCulture: É interessante, porque a razão que eu te perguntei isso, obviamente você é capaz de fazer tudo isso, é que nós falamos no passado sobre administrar o trabalho e não voltar àquele lugar em que você estava há uns anos atrás…[mencionando o Burnout] Floor Jansen: Sim, exatamente.
FaceCulture: Mas é maravilhoso que você achou um jeito de conseguir fazer tudo! Floor Jansen: É um processo diário. E quando as coisas acontecem na velocidade que aconteceram nas ultimas semanas, você precisa tomar decisões ainda mais rápidas do que você normalmente tomaria. Entao agora é um período interessante para testar a teoria de quão bom é seu jeito de administrar seu trabalho, e o quanto que eu direi “sim” para as ofertas, e quão boa sou eu em dizer “não”. Então isso é uma coisa interessante, mas eu estou muito feliz que eu falei “sim” para os shows. Porque as pessoas com quem eu trabalho agora são pessoas incríveis e fantásticas, que falam o que precisa ser dito, não são um milhão de e-mails sendo trocados sobre o mesmo assunto, ou coisas pequenas que tomam muito da sua energia. E agora eu sei melhor o que eu quero, mais do que antes. Então vai ser isso, e será bem rápido… É um sentimento ótimo que eu não tinha quando eu era mais jovem. Claro que você precisa desenvolver essas coisas… Elas vem com a idade!
FaceCulture: Floor, muito obrigado pelo seu tempo! Floor Jansen: Obrigada você também!
Floor: Bem… um pouco cansada, mas feliz, cansada. Já faz um tempinho… Tempos ocupados, estou fazendo muitas coisas ao mesmo tempo de um jeito que eu nunca havia feito… mas apenas de um jeito bom.
FaceCulture: Isso é bom saber… Estamos fazendo a entrevista em inglês para que seus fans internacionais poderem aproveitar também. Então onde eu quero começar, você fez o Beste Zangers, o programa.. E agora você está se tornando, ou se tornou, ou tem se tornado, uma celebridade nos Países Baixos…
Floor Jansen: Sim, aparentemente.
FaceCulture: Isso é meio estranho para você? Porque você tem estado numa das maiores bandas há um tempinho, e você teve o After Forever e o Revamp… Como que é o sentimento?
Floor Jansen: Eu não tenho certeza de como reagir agora, então as coisas que têm mudado, eu não estive nos Países Baixos ainda, e como eu moro na Suécia eu não tenho notado… Entretanto eu posso ver as diferenças que estão acontecendo nas redes sociais e eu estou aqui… Sim, eu nunca ouvi meu nome numa estação de trem, e é engraçado porque as pessoas não tem muita certeza, eu acho que as pessoas não esperam ver alguém que elas conheçam da tv cara a cara, então é tipo “Ei, aquela é a Floor” – as pessoas realmente sabem meu nome agora, então você passa por umas situações engraçadas. Noutro dia umas pessoas me viram, mas eles não tinham certeza que era eu, eu podia escutar eles conversando, e eles estavam gritando do outro lado da estação de trem “Floor Floor” e eu estava tipo “O que você espera que eu faça” Grite de volta e confirme para você que sou eu?” Situações engraçadas que eu nunca passei antes…
FaceCulture: Foi importante para você, de um jeito, ter o reconhecimento das pessoas? Porque você tem tocado musica num subgênero que as rádios não prestam muito atenção e agora eles estão prestando! Entao, foi importante para você…?
Floor Jansen: Foi importante para mim que a minha musica seja reconhecida, não foi importante para mim que eu me tornasse famosa. Nunca teve algo no meu algo que queira que eu diga “Uh, eu sou uma pessoa famosa na Holanda” – o contrario na verdade. Para mim, tem sido a musica. Metal é um subgênero, como você disse, musica underground na Holanda. Num nível que não realmente combina com sua qualidade e diversidade, de metal holandês. Além de outros países estrangeiros, o metal holandês é um fenômeno. “Wow, todas essas bandas que vem da Holanda, a Holanda deve estar orgulhosa”. E eles não tem a menor ideia! E isso me incomoda. Bandas como Nightwish e mais bandas que fazem musica, que não combinam com o padrão estético de metal que algumas pessoas daqui imaginam que seja. É muito “deve ser muito pesado, deve ser homens cabeludos gritando raivosamente e talvez seja satânico e agressivo, e não é para mim”. E todas essas ideias fazem com que se você diga “Nightwish é uma banda de metal” as pessoas automaticamente reagem com “Não, isso não é para mim então” e esses pensamentos que talvez não sejam verdade. Porque há uma diversidade que as pessoas não conhecem, e eu espero que todas as coisas que tem acontecido agora façam as pessoas quererem ouvir a musica. Voce ainda pode dizer “essa musica não é para mim” – justo – mas dê uma chance, por favor, se você poder evitar esses pré-conceitos e dizer “okay, talvez seja, talvez não seja para mim”, mas todas as vezes que eu toquei algo do Nightwish para pessoas que diziam que não gostavam de metal mas que haviam muitas coisas nas musicas que elas de fato gostavam. “Wow eu naio sabia que era tao melódico, eu não sabia que tinha tanta diversidade, wow é tao musical, wow é tao diferente do que eu esperava que fosse” – Isso eu quero desconstruir, porque eu acho que é uma percepção errada, e o gosto musical ainda importa, mas para mim é muito importante que as pessoas saibam da riqueza da cena de metal Holanda que talvez não seja completamente inacessível e com certeza eu devo dizer que há algumas bandas que fazem musicas super pesada e inacessíveis, que é para um grupo seleto de pessoas, e essas bandas não tem a ambição de ficar famoso, e eles não querem que eu seja a embaixadora e dizer “Sim, todas as pessoas precisam escutar esse tipo de musica” – claro, eu sou metaleira há tempo o suficiente para saber que nós somos orgulhosos das coisas que fazemos, e nós fazemos para as pessoas que querem escutar, e não para o grande publico. Mas eu acredito que há uma diversidade dentro do gênero que as pessoas da Holanda simplesmente não conhecem, e essa parte eu quero dar uma atenção especial e dizer “Ei, escute a nossa musica agora sem preconceitos”.
FaceCulture: E há um fenômeno online, você deve saber agora, onde há pessoas se filmando escutando musicas suas…
Floor Jansen: Ah sim, os “treinadores vocais” sim, aquelas reações… Alguns deles realmente devem ser treinadores vocais. Eu não vi todos, eu sei que há muitas pessoas que estão compartilhando esses vídeos comigo, e parece que tem se espalhado bastante porque é um novo fenômeno, onde as pessoas fazem isso. E todas as semanas, de todas as musicas de Beste Zangers que saia… Risos… Eu não vi todos, mas alguns eram muito engraçados, ou muito emocionantes, e alguns de fato, digo, se fossem para ser uma analise técnica de verdade, para mim, como uma cantora técnica, eu sou meio nerd quando se trata desse tipo de coisa, eu gosto desse tipo de coisa, e eu aplico tudo! Então se alguém de fato reconhecer essas coisas que eu faço, eu fico muito grata.
FaceCulture: O que eu acho muito interessante com o que você mencionou, sobre abrir portas e mostrar que o metal não é apenas esse homem cabeludo raivoso – esse tipo de fenômeno introduz o gênero para um novo grupo de pessoas, porque veja: todas as tribos que sabem o que metal é, as vezes é um ouvinte de hip-hop descobrindo…
Floor Jansen: Sim, legal, nós podemos sair das nossas caixinhas…
FaceCulture: Sim, e isso é legal que o Nightwish tem tentado fazer isso, e isso é um tipo de globalização no sentido de tornar as musicas mais universais. Como você ve isso? Porque você tem viajado por todo o planeta bem antes das pessoas na Holanda notarem, então….
Floor Jansen: Sim, eu digo, metal tem sido conhecido por ser popular pelo planeta todo. Dependendo do país que você está, um grupo seleto de pessoas ainda ouvem, em outros países há mais ouvintes que outros… Eu gostaria que todos os países fossem igual a Finlândia, onde é normal que toquem metal nas rádios, onde Nightwish pode ser a maior banda do país… Mas isso é uma utopia para um metaleiro, mas eu realmente agradeço a queda das barreiras, onde um cara do hip-hop pode dizer “eu vou tentar escutar isso” e curtir o que estamos fazendo baseado apenas na música e não na idéia de “Nah, isso é metal” e todas as outras coisas… Eu acho que isso é apreciar a música de uma forma honesta, a essência do que fazemos, e não todas as coisas que vem com o gênero.
FaceCulture: Sim… E agora, sobre ter essa atenção… Bem, deixe-me voltar um pouquinho, porque você disse que fez a Rock Academy, que foi onde você começou, e eu imagino que você era… Eles te deram toda uma variedade de técnicas para cantar. Então a pergunta é, você sabia desde do inicio que era metaleira, e você mencionou a parte técnica da sua voz, então você já sabia das diferenças entre como cantar?
Floor Jansen: Sim e não. Eu já estava no After Forever antes de sequer haver uma ideia da Rock Academy, então pela época que nós começamos a fazer o nosso primeiro álbum, eu também comecei a estudar na Rock Academy. E meus vocais, na época, eram praticamente todos metais. Eu amo tudo sobre o que eu estava fazendo, e eu estava complemente sem treino. Pelo tempo em que estávamos gravando o primeiro álbum, eu nunca tinha tido uma única aula de canto na minha vida e eu também entrei na Rock Academy baseado no que eu conseguiria fazer, e não no que eu já sabia em relação a técnica. Mas eu estava muito sedenta para saber, muito interessada, e eu meio que esperei que eu desenvolveria essas coisas quando eu entrei na Rock Academy, mas ao invés disso nós entramos nesse sistema escolar onde “primeiro aprenderemos sobre os anos 50, então os 60, depois os 70, então os 80 e entraremos nos 90” – é importante que você saiba sua historia musical, sua diversidade… E eu entendi isso, especialmente olhando agora, mas na época eu estava “Anos 50? Eu quero saber como fazer as notas altas no álbum que estou fazendo. Nós aprenderemos sobre isso? Não. Primeiro aprenderemos isso, e depois aprenderemos aquilo…” E sobre as técnicas eles falaram também “primeiro aprenderemos isso, e depois aprenderemos aquilo”… Claro, precisa ter um sistema de ensino, para eles poderem medir o quanto você aprendeu, quantos pontos você tem, e você precisa ter um numero de pontos para poder ir para o próximo ano, bla bla bla… Precisa ser algo que eles podem medir, independente se eu posso fazer notas altas no meu próprio álbum… Não era algo que eles eram capazes de pontuar.. Eu acho que o sistema agora se tornou um pouco mais adaptado, mas não vamos esquecer que foi a primeira vez que eles fizeram uma escola desse tipo. Então tudo era muito novo – o mesmo para técnicas vocais. Se você analisa o canto lírico, ele existe há centenas de anos, então as técnicas por trás dele já foram desenvolvidas e lapidadas, onde o canto popular, algo não clássico, é algo relativamente novo – questão de décadas. Então aquilo era claro, os métodos vocais e os estilos vocais não eram não desenvolvidos quanto hoje – muito mais hoje em dia. Eu também me desenvolvi sozinha, com as coisas que vierem, todas as técnicas vocais e os métodos, um nome para isso e uma técnica para aquilo… Isso eriçou minha curiosidade nessa área, então eu aprendi sozinha, pelo tempo, tanto na Rock Academy, tanto na minha jornada depois… Eu ainda acho que é importante continuar desenvolvendo o canto, e expandir seus horizontes.. Porque eu noto que eu posso cantar canções que não são metal muito melhor agora que eu conseguia na época… Porque na época eu era muito jovem para entender o que eu estava fazendo, eu não estava interessada em nada disso, porque eu só queria fazer metal e meu próprio material, porque eu era tao nova nesse mundo… Então é também muito sobre a experiência que vem sobre ser uma boa cantora, além das coisas técnica…
FaceCulture: Por exemplo, agora, fazendo o Beste Zangers, você teve que cantar todos os tipos de música… Essa é o tipo de experiência onde você aprende muito? E descobre algo sobre a sua voz ou o jeito que você usa seus vocais, passando por esse processo?
Floor Jansen: Absolutamente. Eu acredito que sim. E eu acho que eu tenho que agradecer ao Nightwish por isso porque claro, quando eu comecei, especialmente no começo, eu estava cantando “covers” das musicas… Eu era nova na banda, com musicas que já existiam, que claro, logo passaram a fazer parte de mim, mas eu tive que aprender a faze-las serem minhas – e cantar tão bem quanto eu posso, e fazer soar como a Floor, e não uma copia de quem cantou primeiro. Entao eu aprendi muito fazendo isso, e quando comecei a trabalhar com musicas novas que eu não tinha escrito, diferente nas minhas bandas passadas, ambas After Forever e Revamp, e também Northward, eu tenho escrito minhas próprias musicas… E no Nightwish, eu tenho cantado o que o Tuomas escreve, o que é uma coisa fantástica de se fazer, ele é um dos melhores compositores do mundo pelo o que eu sei, é uma honra para mim cantar suas canções, mas isso significa que eu preciso trabalhar num nível diferente que eu normalmente trabalho quando eu escrevo minhas próprias musicas, e eu aprendi muito disso. E eu acho que eu pude usar isso quando eu fui cantar musicas que eram muito distante do que eu sou acostumada… “Uh, eu vou cantar Que Si Siente do Rolf Sanchez… É reggaeton e latino… É realmente diferente do que eu jamais tinha feito, como eu vou fazer isso, e fazer soar como eu mesma?” Não é minha cancao, não é meu estilo musical, então primeiro eu preciso ficar familiarizada com o estilo e então eu preciso encontrar um jeito de contar uma história… E foi algo muito interessante na minha curva de aprendizado… E também trabalhar com uma banda totalmente nova, eu estou acostumada a trabalhar com uma banda, sempre as mesmas pessoas, e do nada eu vou trabalhar com um monte de pessoas que eu nunca trabalhei antes e vamos aprender 8 musicas de uma vez, não iremos apenas tocar elas como são, nós iremos adapta-las em um gênero ou estilo mais próximo ao meu… Quanto que eles sabem sobre metal? Nós vamos colocar um baixo duplo em todas as musicas? O que faremos? Quanto é possível? Foi bastante novo para mim, muitos novos desafios, mas foi incrível ver quão talentosa essa banda era e como eles são acostumados a fazer esse tipo de coisa… E para mim dizer “Okay, eu sei o que fazer, quando passar a soar certo eu posso colocar o meu jeito na musica” – e então começou a funcionar. E é por isso que soa bom, pelo menos pelo o que eu posso dizer, eu estou orgulhosa, soa bem! Porque se eu não conseguir fazer a musica soar nem um pouquinho perto do que eu acho que é bom do meu próprio jeito, iria soar falso. É muito importante que seja genuíno…
Thank you so much, Andre. ♥ Finally, we did it! Haha
Ω
1. It took a while, but we’re here. Tell us a little about Andre Borgman! Andre: Yes, considering the last AF show 7dec 2007…yes…damn time goes fast. But my name is Andre Borgman, born 13 september 1978. Raised by the parents I could possibly wished for. My mom and dad supported my interested for music from the very beginning. My dad bought me a drumkit at the age of 10 just because I wanted one and he managed my first real band and got us to play many gigs across The Netherlands, Germany and Belgium. My mother was just my biggest fan and loved and still loves every thing I do music wish. Little inside about them. My dad loves Pantera and my mom is big Ozzy fan. Oh man, so many stories to tell. Together with my mom to a Black Sabbath show and she fainted in front of the stage just when I was getting some drinks. One of the people told me what haven’t and I got to pick up my mother at the backstage with security. First thing I said: Mom, you are just doing anything to get backstage aren’t you???…haha, we had a big laugh. My fathers anecdote was when he was managing my band when I was 15 during a show we did a big pogo-pit was going on, and suddenly, from behind my drumkit, I saw a crowd surfer… I thought, this is just getting great. What a party, then I saw who the crowd surfer was. My dad. Hahaha. We we’re laughing so hard. That was just awesome. Just 2 examples of how it started. To many to tell. You’ll get bored haha… Right now, I am very relaxed and happy things are going, I took a big break since a year from drumming and only play in 1 band, guitar, the instrument I started with. I am hired at a zoo near my home and have the best and rewarding job I can ever imagine. …and no, I am not feeding the animals, we are responsible for the nice incitement for the visitors and the confined for the animals and nice and suitable stays enjoying live so to speak.
2. After many years you guys worked together again. We got really happy, besides the huge nostalgia feeling. How was it, to work with Floor again? Andre: If you are(and you are;-)) referring to the Northward project that was just after the break-up of After Forever. As you may know by now I guess. But working with Floor and in this case with John Viggo was great and something I regret not taking place when it was written and If I remember right it would have been recorded in 2010. With was called Floor-Inc by then.
3. Jorn said in an interview, that the ending of “Let Me Out” turned out to be really different from they way it had been thought in the beginning, even though its structure has remained the same. What was your reaction when you listened to its final version? Did you approve its development? Andre: Well, the tempo is faster and Jorn changed the main opening riff, the rest is exactly the same as I presented it, I can show you a recording I made in 2006 way before it was recorded. But I think it’s about royalties perhaps… I don’t mind. It’s ok…
4. How was the creation process and development of “Let Me Out”, before being presented to Floor and Jorn? Andre: It was based on the ending riff I wrote in 98. Huge fan of Pantera and the rest came later, over the years you write some stuff that suddenly fits together with old stuff haha.
5. With Nightwish’s tight schedule, we are aware that a tour for Northward would be something distant- but not impossible. Has there been a chance for you to talk about it so far? Andre: No, I am not sure if they will do a tour. If I will be part of it I doubt it. But would love to do it.
6. How did your passion towards music began and what are your best references and influences? Andre: As answer one revealed. From a very young age. My grandma gave me some sort of snare drum when I was a baby haha. (Can I show pics?). When I was 6 years old my a guy in the street we lived in had some guitars at his room. Think he borrowed from his dad. We could play 2 guitar riffs and I nearly managed to do 1. His father one day came home with a snare drum he bought from a flee market. It was clear my friend who could play 2 riffs will stay at the guitar and I was stuck with the snare drum… I still love playing both instruments. The biggest influences on guitar are clearly Zakk Wylde, Dimebag… Drumwise it’s Nick Menza, Randy Castillo, Tommy Aldridge en Vinnie Paul.
7. Back to the past: we still keep after forever alive in our days, and we believe you do the same since you sometimes post some old performances videos. Which songs are your favorite? Andre: Oef, …. hmmm. If I have to choose one. It’ll be Estranged.
8. Do you still remember the creative process in After Forever? And your personal and professional development as a person and musician, all inside this experience of joining the band. What was it? What changed in you? Andre: Nothing really changed in me:-) The creative process was different each album. IC was written all together in one rehearsal room. 2 rehearsals a week in some months. The last A.F. album was mainly written by Joost and Sander at there studio. Totally different way.
9. After Forever came to a premature end, and according to Floor, she believed that After Forever had much more to offer. Do you agree with it? Or it came to an end in the exact moment? Why? Andre: I also think A.F. had more to offer but after the break we took all faces where at other directions and to put it all together again wasn’t easy in a lot of ways. I don’t want to go to much in details but it was clear some bandmembers will leave anyway after we will continue…
10. Today we know that Floor is an artist engaged in many projects. Have you ever thought about a possible AF reunion? Andre: That will never happen…
11. When it comes about to your relationship with the other AF members, the possibility of a gathering, or even so a nostalgic concert, is still a fan’s dream or something that may be possible in a distant future? Andre: If we would do that, all the band members needs to be there. All or nothing!!!
12. Many years have passed since your discovery for the drums, bands, projects, and others. How do you see your stability, when it comes to keep making a living out of the thing you love doing? What are your new goals, projects, and challenges? Andre: I do not live from making music. That is to difficult. Especially for a drummer…..I have a very cool job at the zoo which I like very much! 🙂
13. In some kind of a “drum clinic” or even a specific drumming festival: Which would be the drummers you’d invite to join you? Andre: I am afraid most of them died already.
14. We fans always try to meet our idols. What about you? What idol would you like to meet? Andre: Blackie Lawless, although he seems to be a very unpleasant guy..hahaha… Just to make a pic together would make my collection of WASP stuff complete.
15. If you could ask something to the fans, what would you like to ask? Andre: They are already ding what I hope they would do. Keeping the After Forever Spirit Alive!!! Thank you all for that and will forever be in my memory!!! Cheers!
1. Demorou um pouco, mas aqui estamos nós. Nos diga um pouquinho sobre Andre Borgman! Andre: Sim, considerando que k último show do After Forever foi em 7 de dezembro de 2007… Sim… Nossa, como o tempo passa rápido. Meu nome é Andre Borgman, nascido em 13 de setembro de 1978. Criado pelos melhores pais que eu poderia ter desejado. Meu pai e minha mãe apoiaram meu interesse pela música desde o início. Meu pai me comprou uma bateria aos 10 anos só porque eu pedi, e ele foi o manager da minha primeira banda, e nos ajudou a tocar em muitos shows pela Holanda, Alemanha e Bélgica. Minha mãe foi a minha maior fã, amava e ainda ama tudo o que eu faço sobre música. Uma curiosidade sobre eles: meu pai ama Pantera e minha mãe uma fanzona do Ozzy. Ah cara, tantas histórias para contar! Juntos, eu e minha mãe, fomos a um show do Black Sabbath e ela desmaiou na frente do palco bem quando eu fui pegar umas bebidas. Alguém me disse o que aconteceu e eu fui buscar a minha mãe no backstage, que estava com o segurança. A primeira coisa que eu disse foi: Mãe, você está fazendo isso só pra poder entrar no backstage, não é???… Hahahahah, nós rimos muito. A história sobre meu pai foi quando ele estava cuidando da minha banda quando eu tinha 15 anos. Durante um show, nos fizemos um grande moshpit, e do nada, por trás da bateria, eu vi uma pessoa surfando na plateia… Eu pensei “isso aqui tá ficando ótimo”. Uma festa enorme, então eu vi quem é que estava surfando na plateia: meu pai. Hahahahah. Nós rimos tanto! Aquilo foi simplesmente incrível. Apenas 2 exemplos de como tudo começou. E tantos outros pra contar. Você ficaria entediado AHHAHA… Agora, eu estou muito tranquilo e feliz com como as coisas estão, eu escolhi ter uma grande pausa de tocar baterias e agora toco só em uma banda como guitarrista, que foi o instrumento que eu comecei. Eu trabalho no zoológico perto da minha casa e eu tenho o melhor e mais recompensador que eu poderia imaginar… E não, eu não alimento os animais, nós somos responsáveis por engajar os visitantes e cuidar dos animais para que eles tenham uma vida agradável e feliz, assim por dizer.
2. Depois de tantos anos vocês trabalharam juntos de novo. Nós ficamos muito felizes, além do sentimento de nostalgia. Como foi, trabalhar com a Floor novamente? Andre: Se você estiver (e você está 😉 ) se referindo ao projeto Northward, foi pouco depois do fim do After Forever, como vocês devem saber agora, imagino. Mas trabalhar com a Floor e nesse caso com o John Viggo foi ótimo e uma coisa que eu me arrependo foi não ter participado do processo de escrita, e se eu me lembro corretamente, seria gravado em 2010. Era chamado de Floor-Inc, na época.
3. Jorn disse em uma entrevista que o final de “Let me Out” ficou bem diferente de como era pensado no início, apesar da estrutura ter permanecido a mesma. Qual foi a sua reação quando você escutou a versão final? Você aprovou o desenvolvimento da canção? Andre: Bem, o tempo é mais rápido e Jorn mudou o riff que abre a música. O resto é exatamente o que eu apresentei, eu posso te mostrar uma gravação que eu fiz em 2006, bem antes da gravação final. Acho que houve a mudança por causa dos royalties, talvez… Eu não me importo, está tudo bem.
4. Como foi o processo de criação e desenvolvimento de “Let Me Out” antes de ser apresentado para Floor e Jorn? Andre: Foi baseada num riff de encerramento que eu escrevi em 98. Eu era um grande fã de Pantera e o resto apareceu depois, com o passar dos anos você escreve algumas coisas que do nada encaixa com as coisas antigas hahaha.
5. Com o cronograma apertado do Nightwish, nós estamos cientes que uma turnê para o Northward seria algo muito distante – mas não impossível. Há alguma chance de você falar sobre isso? Andre: Não, eu não tenho certeza se farão uma tour. Se eles fizerem, eu duvido que eu participarei. Mas eu adoraria!
6. Como que a sua paixão pela música começou e quais são suas maiores referências e influências? Andre: A primeira resposta já foi revelada. Desde muito jovem. Minha avó me deu um tipo de mini bateria quando eu era um bebê hahaha. (Posso mostrar fotos?). Quando eu tinha 6 anos um cara da minha rua tinha algumas guitarras no quarto dele. Acho que era de seu pai. Nós tocavamos 2 riffs na guitarra e eu quase criei um. Meu pai um dia veio pra casa com uma bateria que ele comprou numa loja de usados. Era claro que meu amigo que conseguia tocar dois riffs ficaria na guitarra e eu ficaria nas baterias. Eu ainda amo tocar os dos instrumentos. Minhas maiores influências na guitarra são claramente Zakk Wylde, Dimebag… Sobre as baterias, são Nick Menza, Randy Castillo, Tommy Aldridge a Vinnie Paul.
7. Voltando ao passado: nós ainda mantemos o After Forever vivo na nossa vida, e imagino que você faça o mesmo, já que as vezes você posta algumas performances nas suas redes. Quais músicas são suas favoritas? Andre: Oef,….. Hm…. Se eu tivesse que escolher uma, seria Estranged.
8. Você ainda se lembra do processo criativo do After Forever? E seu desenvolvimento pessoal e profissional, como músico e pessoa, e toda a experiência de estar numa banda. Como que era? O que mudou em você? Andre: Nada me mudou, realmente 🙂 o processo criativo foi diferente em cada álbum. Invisible Circles foi escrito tudo de uma vez em uma sala de ensaios. 2 ensaios por semana por alguns meses. O último álbum foi escrito principalmente pelo Joost e Sander no estúdio. Totalmente diferentes.
9. O After Forever teve um término prematuro, de acordo com a Floor, ela acredita que o After Forever tinha muito mais a oferecer. Você concorda com isso? Ou a banda chegou ao fim no momento certo? Porque? Andre: Eu também acho que o After Forever tinha mais a oferecer mas depois da pausa que tiramos, todas as pessoas estavam em outras direções, e fazer com que todas voltem a ter a mesma direção não foi fácil, em muitas maneiras. Eu não quero entrar muito em detalhes mas era claro que alguns membros sairiam mesmo se tivéssemos continuado.
10. Hoje nós sabemos que a Floor é uma artista engajada em muitos projetos. Você já considerou a possibilidade de uma reunião After Forever? Andre: Isso nunca irá acontecer…
11. Se tratando sobre seu relacionamento com os outros membros do After Forever, uma possível reunião ou até um concerto nostálgico, ainda é algo que pode ser considerado um sonho de fã ou algo que pode acontecer num futuro distante? Andre: Se fôssemos fazer isso, todos os membros precisariam estar lá. Todos ou nada.
12. Muitos anos passaram desde que você descobriu a bateria, participou de bandas, projetos e outros. Como você vê sua estabilidade, se tratando de conseguir viver de algo que você ama fazer? Quais são seus novos objetivos, projetos e desafios? Andre: Eu não sobrevivo fazendo música. Isso é muito difícil. Especialmente pra um baterista… Eu tenho um trabalho muito legal no zoológico que eu gosto muito! 🙂
13. Supondo um possível evento de “drum clinic” ou outro evento específico para bateristas: Quem você convidaria para participar? Andre: Temo que todos os que eu chamaria já tenham morrido.
14. Nós fãs sempre tentamos conhecer nossos ídolos. E você? Quem você gostaria de conhecer? Andre: Blackie Lawless, apesar dele parece ser um cara bem desagradável… HAHAHAH… Apenas uma foto juntos faria a minha coleção de coisas da WASP completa.
15. Se você pudesse pedir alguma coisa aos fãs, o que seria? Andre: Eles já estão fazendo o que eu gostaria que eles fizessem: mantendo o espírito do After Forever vivo!!! Obrigado a todos, vocês estarão para sempre na minha memória!!!! Felicidades.
Eu tenho certeza de que minha mãe me cantava canções de ninar, e meu pai tocava o violão para mim, mas a canção que me lembro de escutar é esta. Eu tenho memórias vívidas dos meus pais cantando junto com ela. Eu estava sempre intrigada sobre o que ela era, e quanto mais eu amadurecia mais eu conseguia entender o seu significado (ela zomba de uma caçada falsa de um caçador). Como criança, eu achava que ela era alegre e boa para pular ouvindo.
Aquela guitarra característica da introdução realmente ficou em mim. Ela me lembra do meu pai em específico e ele tocava isso em todo lugar. Ele sempre estava com música por perto- era música clássica no café da manhã de Domingo, mas aquele álbum do Dire Straits (Brother in Arms) ia para todo canto com a gente.
Eu não sabia que eu podia cantar até que participei de um musical na escola primária. Eu fui parte de um coral e adorava, então quando fui para o ensino médio eu fiz audição para um papel numa produção de José… eu fui escolhida para ser a narradora, que era um grande papel. Eu pratiquei, cantei e cantei, e foi então que eu percebi que podia fazer isso. Eu adorava fazer parte daquilo, e foi a primeira coisa que me colocou neste caminho e me fez virar cantora.
Era interessante ouvir uma voz feminina tão forte (Anneke van Giesbergen) no metal, e a canção em si me afetou. Strange Machines é, de longe, a faixa mais forte daquele álbum (Mandylion). Foi um sucesso na minha terra natal (a Holanda) e não era a toa que fazia sucesso. Era uma faixa épica e Anneke estava no seu melhor momento nela. Ela inspirou muita gente, incluindo eu mesma, e, embora ela tenha feito todo tipo de coisa em termos de música, acho que ela merecia fazer ainda muito mais sucesso.
Eu escrevi essa música sobre minha mãe com a minha primeira banda num momento em que ela não estava muito bem de saúde. Felizmente ela não está morrendo nem nada, mas ela ainda luta com várias questões ainda hoje e, claro, você sempre quer as pessoas que ama saudáveis. Essa música é tão pessoal, e eu pus tanta emoção nela que hoje em dia eu simplesmente não consigo ouvi-la. Oh, Deus, eu costumava até tentar cantá-la ao vivo. Você devia ver os ensaios.
Na minha primeira turnê com o Nightwish eu comecei a cantar o final de forma diferente, para adicionar alguma coisa nela. Então, tivemos uma gravação de DVD (Showtime, Storytime, 2013) do qual ela fez parte e todo mundo queria ouvir o final novo. De repente, virou algo especial- havia expectativa, então se tornou algo especial para mim.
Eu não me lembro muito do meu primeiro amor, mas eu me lembro como conheci o amor da minha vida. Nós estávamos em turnê com o Sabaton e eu me apaixonei pelo baterista deles, Hannes (Van Dahl). Uma vez que as canções dele estejam na sua cabeça, elas não saem mais. Toda vez que eu escuto uma música do Sabaton eu me lembro daquelas seis semanas de turnê. Claro, as músicas deles podem não parecer românticas- mas para mim elas são. Quando eu penso em amor, eu ouço Sabaton na minha cabeça.
A CANÇÃO QUE ME LEVANTA QUANDO ESTOU PARA BAIXO É…
Pode não ser a música feliz que você esteja esperando, mas ela me acalma e me deixa tranquila e me aquece. Hannes e eu tocamos ela o tempo todo. Quando eu não estou muito bem, eu não gosto de ouvir música que pede muito de mim.
A MÚSICA QUE TEM MAIS SIGNIFICADO PARA MIM AGORA É…
Ela é sobre a minha mudança de vida. Eu escrevi esse álbum na Noruega, depois me juntei a uma banda Finlandesa (Nightwish) e agora eu moro na Suécia com meu marido. Meu caminho era em direção ao Norte, onde encontrei meu amor e minha felicidade.
A MÚSICA QUE EU GOSTARIA QUE FOSSE TOCADA EM MEU FUNERAL É…
Aos 37 anos eu espero que ainda esteja longe disto, mas essa música foi tocada no funeral da minha tia alguns meses atrás e foi perfeito. Essa canção possui versos como “Boa noite para uma alma antiga, adeus a uma vida outrora vivida”. Ela é linda e soa muito próxima a mim no momento.
O Head up High teve a oportunidade de entrevistar o Jorn Viggo, guitarrista da banda Northward!
1. É inegável seu potencial como guitarrista. Partido da descoberta dessa paixão, seus estudos e as horas treinando para alcançar a perfeição, como você se você quando se trata da sua jornada e desenvolvimento para a habilidade que você tem hoje? Jorn: Eu sempre tive uma paixão por música e sempre terei até o dia que eu não existir mais. Eu comecei a tocar aos 14 anos. Eu nunca fiz nenhuma aula e eu não consigo ler música. Eu aprendi ouvindo e vendo os outros. Eu aprendi no início a tocar usando minha audição. Nos meus primeiros anos eu toquei bastante e eu tive sorte em tocar em uma banda com uns caras muito talentosos que eram 5 anos mais velhos que eu. Isso foi como um curso intensivo e eu estava absorvendo todo o conhecimento que eles me mostravam. Eu comecei tocando covers mas eu queria escrever minhas próprias músicas. Então eu comecei a fazer isso quando eu tinha por volta dos 20 anos. Mas eu acho que o início de tudo foi quando formamos Pagan’s Mind. Musicalmente a banda tem algo único e todos nós aprendemos e desenvolvemos muito tocando juntos. Foi uma época muito especial da minha vida tocar com Jörn Lande. Nós escrevemos 3 álbuns juntos, ele e eu, e eu era seu “guitarrista principal” por seis anos. Nós nos conectamos muito bem musicalmente e trabalhávamos também muito bem. Hoje eu estou mais sedento que nunca escrevendo novas músicas. Coisas novas do Pagan’s Mind estão progredindo e eu também tenho outro projeto tomando forma que eu mal posso esperar para mostrar pra todos!
2. Sempre é dito que a Floor te contactou em 2016, e eu acredito que deve ter sido uma enorme surpresa ter recebido a ligação. Mas se ela não tivesse te ligado, você acha que você provavelmente teria contactado ela ou você manteria Northward engavetado por mais tempo? Jorn: Eu acho que ambos sabíamos que retomariamos esse projeto em algum momento. Eu acho que ambos pensamos que aconteceria mais cedo, mas não aconteceu. Mas foi um período ótimo para nós dois quando nós retomamos e eu acho que a longa “pausa” apenas tornou o álbum melhor. Como bom vinho 😉
3. Você tomou conta da música e a Floor tomou conta dos vocais. Mas quando se trata das letras, qual te deu aquele sentimento de “woah eu consigo te entender totalmente” quando você leu/escutou pela primeira vez? Jorn: Floor escreveu as letras e nos dois escrevemos as melodias. A música também não foi feita apenas por mim. 90% desse álbum foi escrito com nós dois na mesma sala. Então é uma cooperação como um todo. Abrindo mais leques musicalmente um para o outro e achando um som e estilo que servisse para Floor e eu juntos. Eu lembro de ter escutado e lido a letra de While Love Died muito bem. Na época, era uma letra muito pessoal para ela e sobre uma situação que ela estava.
4. Que episódio ou episódios da sua jornada como músico inspiraram de um jeito considerável a construção do álbum? Jorn: Foi tudo trabalho duro com uma boa vibe. Nós descobrimos na primeira sessão que nós tivemos que nós tínhamos uma boa química musical. E nós colocamos nossos corações e almas para fazer o melhor álbum que poderíamos.
5. Desde o início da sua carreira, em todos seus projetos, você tem colocado um pouquinho de si mesmo em cada nota. Partindo disso, de todas as músicas que você já escreveu desde Pagan’s Mind até Northward, qual música seria a representação mais precisa de Jorn Viggo? Jorn: Hm… Isso é difícil de dizer. Northward, Jorn e Pagan’s Mind são o resultado de pessoas que tocam junto em cada banda. Eu cresci curtindo bandas clássicas de hard rock, Dio, Zeppelin, Purple, e eu também gosto de bandas como Os Beatles, Pink Floyd, Toto, etc etc então analisando isso, um hard rock direto com bons elementos musicais é o que mais atrai. Mas em Pagan’s Mind eu sou muito mais progressivo na minha forma de pensar e essa também é uma faceta minha. Eu só quero apenas fazer boas canções, independente do gênero. Eu não vejo sentido em escrever algo se eu não estiver tentando fazer o meu melhor. Agora minha cabeça está no melodic hard rock “coisas boas e de bom gosto” estado de espírito. E vocês todos poderão provar disso mais tarde 😉
6. Nós sempre sonhamos com um dueto entre as irmãs Jansen e finalmente aconteceu! Apesar do processo de criação da música ser feito por vocês dois, teve algum tipo de participação mais direta da Irene, tal qual escolha da música, o desenvolvimento ou alguma mudança no geral? Ou foi algo como “E aí Irene, bora?” Jorn: O plano original em 2008 era que a Floor faria esse dueto com o Myles Kennedy (Alter Bridge) e ele topou, mas não aconteceu porque nós pausamos o projeto. Quando nós retomamos, Floor disse “eu realmente gostaria de cantar essa música com Irene” e eu amei a idéia. Eu amo a voz da Irene e fico super feliz que ela topou. Floor pediu pra ela e também a gravou quando a visitou em 2017. Irene fez uma performance irada.
7. A faixa “Let me Out” teve a participação de um ex membro do After Forever, e foi uma das músicas que tiveram que ter o feeling correto para poder ser finalizada. A ideia do Jorn: Andrea para a música foi desenvolvida com você ou ele trouxe algo já pronto? Jorn: Quando nós começamos o projeto Andrea era quem deveria ter tocado a bateria (algo que nfelizmente não aconteceu) mas ele nos trouxe uma música. Ela tinha um tempo muito mais devagar, então nós a aceleramos. Nós também adicionamos um riff e escrevemos o refrão, a parte do meio e um solo. Mas a estrutura da música foi feita por Andrea.
8. Apesar da percepção de cada canção do Northward ser singular, nós sempre temos uma primeira impressão quando escutamos a música, que muda conforme escutamos, absorvendo sua essência e descobrindo novos aspectos em cada canção. Como você descreveria essa sensação? Jorn: Uma vez que ela aconteceu com você, quando você escutou uma música com 10 anos de idade. Nós dois sabíamos que nós tínhamos escritos boas músicas quando pausamos o projeto em 2009. Mas eu estava curioso sobre como eu me sentiria em retomar tudo quase 10 anos depois. Surpreendente tudo soou novo! Nós decidimos seguir o plano de 2009. E depois de mixar o álbum eu ainda tive essa sensação boa. Eu acho que nós escrevemos músicas que resistiram ao tempo, e espero que as outras pessoas pensem assim também, peguem nosso álbum agora e escutem às nossas músicas.
9. Num cenário utópico em que vocês dois tivessem tipo disponível para fazer uma tour com Northward, qual seria sua banda dos sonhos? Porque? Jorn: Fazer uma turnê com Northward, eu espero que os rapazes que tocaram no álbum também tocassem ao vivo! Eles também são uma grande parte do som do Northward.
10. Na maioria dos trabalhos da Floor, há um Omega – mesmo que o estilo mude, sempre é um Omega. Northward é um projeto de vocês dois, mas nós notamos duas possíveis representações, na qual nós não temos muita certeza do significado (o veado e o “triângulo”, ambos presentes no merchandise). Partindo do conceito do álbum, há um significado mais profundo para esses dois símbolos ou foi algo “randomicamente nortenho” da escolha de vocês? Jorn: Todo trabalho de arte foi feito por Hannes van Dahl (marido da Floor) e Chris Rorland (guitarrista do Sabaton). No princípio, os elementos que você mencionou estariam na capa. A galhada do veado e a agulha do compasso apontando para o norte. Mas a Nuclear Blast queria uma arte com uma foto nossa na capa, então nós usamos a arte no booklet ao invés de no álbum.
01. While Love Died
02. Get What You Give
03. Storm In A Glass
04. Drifting Islands
05. Paragon
06. Let Me Out
07. Big Boy
08. Timebomb
09. Bridle Passion
10. I Need
11. Northward