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  • The RockPit: Floor Jansen

    The RockPit: Floor Jansen

    via the ROCKPIT | Tradução: Head up High, my dear!

    O NIGHTWISH é uma das maiores bandas com famosas apresentações ao vivo e que contam com uma sonoridade e produção capazes de estimular todos os sentidos da plateia, resultando em elogios à música por estarem na medida certa, ao contrário de outras grandes produções do meio musical. Após a turnê de um ano e meio do disco “Endless Forms Most Beautiful“, chegou a hora do Nightwish imortalizar os momentos desta turnê em um DVD. Intitulado “Vehicle of Spirit“, ele foi lançado no dia 16 de dezembro de 16 e conta com não apenas dois shows na íntegra, como também bastante conteúdo extra. Conversamos um pouco com Floor Jansen sobre o DVD e os planos de uma das bandas que conquistaram o mundo.

    Mark: Muitíssimo obrigado pela entrevista ao The Rockpit. Já entrevistamos a banda várias vezes ao longo dos anos e nos acostumamos a entrevistar o Marco primeiro, então a oportunidade de conversar com você sobre o DVD é sensacional. Antes disso, recebemos tantas perguntas que não sabíamos como lidar com todas elas, mas a maioria mostrava preocupação com relação a este “ano de folga” que o Nightwish tiraria e que esse pudesse ser o fim da banda. Você poderia nos dizer algo a respeito disso só para deixar o pessoal mais tranquilo?

    Floor: Ah, mas quanto drama! É só um ano de folga! Já falamos tudo o que tínhamos a dizer sobre esse comunicado e, se as pessoas estão tão preocupadas assim, arranjem um hobby! Tomamos esta decisão, porque está tudo bem, oras. É raro podermos fazer uma pausa com uma sensação boa de que tudo está bem e voltar um ano depois – é bom podermos ter essa opção. Ao invés de se preocuparem tanto, as pessoas deveriam pensar algo como “Poxa, que bacana! Aproveitem e descansem!“, pois temos algo sensacional preparado para 2018. Então, peça a eles que não se preocupem!

    Mark: Parece que a situação da banda só melhora e sempre houve períodos de 2 ou 3 anos entre os álbums, então espero que aproveitem o descanso! O DVD foi a maneira ideal de nos deixar ansiosos pelo que virá! Dois shows fantásticos sob um título bem cativante, também. Você acha que “Vehicle of Spirit” resume tudo isso como deveria?

    Floor: Obrigada! Eu concordo contigo. Pra ser honesta, o título foi ideia do “Troy”, pois ele já pensava no conceito como “a casca da alma que desafia qualquer tipo de categorização” antes da minha chegada. Mas é uma idéia usada com frequência para descrever a banda e pareceu uma boa idéia usar esse conceito para intitular um DVD que mostra como a banda é hoje em dia. E não são apenas dois shows, pois há material extra no DVD com cenas de shows no mundo todo e que mostram o que é o Nightwish em vários lugares durante uma turnê mundial. (risos) Parece que você concorda comigo.

    Mark: Com certeza! Foi uma turnê imensa e tivemos a oportunidade de assistir ao show de vocês em janeiro. Deve ser algo incrível não apenas estar numa turnê mundial fazer um show no Wembley, em Londres, e, algum tempo depois, ir a uma pequena casa de shows em Fremantle, na região oeste da Austrália, e encontrar o mesmo tipo de público fanático por vocês em um ambiente muito mais intimista?

    Floor: Essa é a beleza de estar em turnê. Tudo é muito diferente, das pessoas até as culturas e a reações dos públicos. Parece que a intensidade é a mesma independente de onde as pessoas são ou das dimensões do palco. Alguns públicos gritam mais, outros preferem ouvir atentamente e alguns nem se mexem direito, apenas ficando lá e absorvendo tudo de olhos fechados. O que nos conecta uns aos outros neste mundo é como nos sentimos a música.

    Mark: A música é maravilhosa e nós estamos muito felizes que vocês venham tanto à Austrália para ver os fãs daqui. Nos últimos tempos, o Nightwish parece cada vez maior e uma das bandas finlandesas mais bem sucedidas de todos os tempos, com turnês e álbuns cada vez mais grandiosos. Qual seria o próximo nível para a banda? Vocês pretendem nos dar algumas dicas a respeito disso?

    Floor: Não! (risos) Desculpe.

    Mark: (risos) Bom, eu tentei. Vou até riscar da lista!

    Floor: (risos) Tudo o que posso dizer é que vai ser muito bacana e que todos os fãs do Nightwish vão gostar da surpresa.

    Mark: Analisando o DVD após assistir às filmagens nele, percebi que são quase quatro horas de conteúdo só com os primeiros dois shows e, às vezes, algumas bandas acabam tendo a parte musical ofuscada pelos palcos imensos, efeitos especiais absurdos e muito mais. Mas, no caso do Nightwish, parece que isso, na verdade, melhora a experiência musical e intensifica atmosfera criada pelas músicas. É uma produção sensacional. Como é interagir com tudo isso num show? Aquelas máquinas parecem incríveis!

    Floor: (risos) É muito bacana que seja algo novo assim! A sensação também é muito bacana quando o palco fica mais quente, mas é claro que não estávamos no verão da Finlândia! As máquinas são um extra para melhorar a experiência do show, mas não a essência dele. Em Tampere, usamos aquela produção toda apenas duas vezes durante o show para que as pessoas pudessem aproveitar melhor o show. Não se pode simplesmente abusar dos efeitos pirotécnicos ou as coisas podem dar muito errado. Ainda assim, quando tocamos na Arena Wembley no final da turnê, já estávamos acostumados a usar a mesma produção em todos os shows e isso faz com que você se sinta mais familiarizado com tudo aquilo, agindo com naturalidade. A produção toda se tornou uma parte tão constante dos shows que, ao chegarmos na Austrália e percebermos que não tínhamos todo aquele palco, sentíamos a falta do som de CO2 saindo de certos pontos. Mas o show de Tampere foi um pouco diferente, pois tínhamos uma rampa e várias peças se movendo no teto. Era muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, mas que ainda permitia que as pessoas pudessem acompanhar tudo.

    Mark: Poder assistir a dois shows e ver as diferenças foi ótimo. A maioria das bandas lançam apenas um show, mas lançar dois foi, de fato, um presente para os fãs. Apesar de ter assistido aos shows shows, ainda não assisti ao material extra. Você disse que há cenas de outros shows ao redor do mundo, não é mesmo? São músicas tocadas em outros shows ou cenas da banda se divertindo e brincando uns com os outros em aeroportos, hotéis etc.?

    Floor: Não, não. São as músicas gravadas várias cidades. Foi uma música gravada em Vancouver, uma em Buenos Aires, uma no México, duas na Finlândia, uma nos EUA e uma durante o Masters of Rock, na República Tcheca. Também gravamos uma das músicas que tocamos no nosso cruzeiro, que foi uma versão acústica de “Edema Ruh”. Também gravamos uma no Rock in Rio, pois todas as bandas que tocaram lá levaram um convidado e o nosso foi o Tony Kakko, do Sonata Arctica, tocando “Last Ride of the Day” conosco. Chegamos a gravar a “Élan”, quando tocamos em Sidney, e uma entrevista com Richard Dawkins. É um DVD cheio de conteúdo! (risos)

    Mark: Preciso fazer uma pergunta sobre uma banda em particular, porque eu os amo. Quanto ao ReVamp: acabou mesmo?

    Floor: Sim. Infelizmente, a vida acontece de maneiras imprevisíveis e não é possível fazer tudo ao mesmo tempo, ainda mais coisas que exigem tempo e presença. Então, estando em uma banda como o Nightwish e em uma turnê intensa como essa, estar em outra banda que também merece toda a atenção do mundo acaba se tornando algo impossível. O ReVamp já existia como um projeto em meio a atuações em outras bandas, e, quando discutimos sobre o ano de folga, eu pensei no ReVamp e cheguei à seguinte conclusão: eu teria tempo suficiente para o ReVamp e isso resultaria em outro álbum, outra turnê e outros compromissos. Esse é o tipo de coisa que eu venho fazendo há quatro ou cinco anos sem parar. Portanto, cheguei à conclusão de que seria bom fazer outra coisa e, é claro, surgiu toda a questão de começar uma vida em família, o que torna tudo mais difícil. Ter uma família e estar em duas bandas é simplesmente impossível. Eu tive de tomar uma decisão difícil.

    Mark: Então, você pretende tirar algum tempo para produzir algo musicalmente durante esse período de folga com a sua família? Ou você sente que fará uma pausa total nas atividades e simplesmente aproveitar o descanso?

    Floor: Bom, o plano é ficar em casa e aproveitar esse tempo com o bebê. Mas não ter a música como parte do meu cotidiano seria simplesmente o posto da minha essência! Em 2008, eu compus um disco inteiro com o Jørn Viggo Lofstad, guitarrista do Pagan’s Mind. Nós dois compusemos esse disco, mas nunca o lançamos e, agora, retomamos essa ideia. Sem nos comprometermos a nenhum planejamento muito rígido, acho que conseguiríamos voltar a trabalhar nessa ideia durante esse período de folga.

    Mark: Uma das perguntas dos leitores fala justamente sobre o tipo de música que você ouve no seu cotidiano. O seu gosto musical é muito eclético?

    Floor: Depende um pouco. Se eu estou viajando, eu costumo ouvir trilhas sonoras de filmes. Quando estou malhando, costumo ouvir algo mais pesado, como Pantera, Soilwork e coisas do tipo. Agora, quando estou em casa, ouço todo tipo de música. Não gosto muito de música pop, mas ouço uma música aqui e ali. Eu gosto bastante de Sting, Seal e Florence and The Machine.

    Mark: Voltando um pouco no tempo, quando é que tudo isso fez parte da sua vida? Digo, quando é que você soube que a música seria a força-motriz da sua vida? Houve algum momento em especial?

    Floor: Antes de saber de fato, acho que houve um processo lento em relação a isso. Mas em termos de sentir isso, um momento foi quando eu me tornei parte do musical da minha escola por volta dos 13 ou 14 anos. Aquela havia sido a primeira vez em que eu percebi que a minha voz de canto saia com naturalidade. No musical, eu assumi um dos principais papéis e, após a apresentação, eu senti algo do tipo “Nossa! Eu quero fazer isso mais vezes!”. Foi aí que eu me juntei à banda oficial da escola, mas, infelizmente, nós mudamos de cidade pouco tempo depois e eu tive de começar tudo de novo. Na cidade nova, eu conheci o pessoal do After Forever em 1997 e, naquela época, eu já sabia que queria ser cantora, mas não sabia como. Como qualquer adolescente, eu tive um sonho, mas não tinha uma noção real de como colocá-lo em prática. Eu achava que fazer uma turnê diferente seria uma ótima ideia, mas também imaginei que talvez caísse pro lado da música clássica ou do jazz e a formação acadêmica ideal para mim ainda não existia! (risos) Felizmente, isso aconteceu em 1999. Então, acho que o momento que mudou tudo foi a primeira vez em que estive num palco, mas perceber isso levou mais alguns anos.

    Mark: E eu adoro tudo o que você já produziu em qualquer uma das suas bandas. Fico muito feliz em poder ouvir a sua voz, que, na minha opinião, é uma das melhores do rock e do metal nos últimos 20 anos.

    Floor: Muito obrigada!

    Mark: Para fechar, duas perguntas que gostamos de fazer aos nossos entrevistados. Se você pudesse estar no estúdio onde um grande álbum foi gravado só para ver a mágica acontecendo, a interação entre os músicos e tudo mais, qual seria o disco e por quê?

    Floor: Eu adoraria acompanhar qualquer sessão de gravação de um álbum do Queen. Qualquer álbum. Como é que eles compunham todas aquelas harmonias e experimentaram tanto em termos musicais sem os equipamentos profissionais que usamos hoje? Seria demais.

    Mark: Pois é! Seria mesmo. Como é que eles conseguiam fazer tudo aquilo com o que tinham na época? Alguns dos trechos devem ter levado uma eternidade para serem compostos.

    Floor: Com certeza!

    Mark: Agora, a pergunta mais simples: qual é o significado da vida?

    Floor: (risos) Eu não sei como responder a essa pergunta! Acho que a gente talvez saiba no nosso leito de morte, mas espero que isso ocorra só aos noventa e tantos anos! Não sei mesmo. Acho que tentamos racionalizar tudo e muito mais do que deveríamos. Basicamente, estamos aqui apenas para reproduzir, assim como qualquer outro animal do planeta. Mas por pensarmos tanto é que desejamos levar uma vida feliz e, seguindo essa linha de pensamento, eu diria que o sentido da vida é a busca da felicidade. Quando não alcançamos a felicidade, acabamos levando uma vida triste, incompleta. Infelizmente, nem sempre temos o controle sobre tudo ao nosso redor, especialmente as coisas e pessoas que nos fariam felizes. Esta é uma coisa um tanto arrogante de se dizer do ponto de vista da filosofia ocidental, mas eu não acho que a felicidade seja algo alcançável por meio do dinheiro, mas sim ao nos sentirmos amados e seguros.

    Mark: Essa foi uma resposta bem profunda. Agora, fiquei um tanto pensativo. É sempre muito bacana fazer essa pergunta a várias pessoas, pois sempre conseguimos identificar quem pensou para responder, mas que nunca havia levado essa questão a sério antes.

    Floor: Pois é. Eu acho que é muito difícil responder, pois eu estou numa posição muito privilegiada, o que não significa que estou sempre feliz. Por isso, eu me pergunto o porquê de não estar feliz e percebo que não tem nada a ver com ser rico ou pobre, mas com a sensação de segurança. Acho que se você perguntasse a uma criança na Síria agora mesmo o que ele ou ela precisariam para serem felizes, acredito firmemente que seria “segurança” o que eles diriam e não riqueza. Digo, é claro que eu gostaria de ter rios de dinheiro (risos). O dinheiro em si traz um certo tipo de segurança e tranquilidade quando você sabe que tem o suficiente para não ter de se preocupar nunca mais com aquilo. Mas será que ele é o caminho para a felicidade? Não. Há muitas outras coisas no meio de tudo isso e a questão é muito mais complexa do que se imagina. Ainda mais quando se tenta resumir a uma frase! (risos)

    Mark: Acho que, além disso, é algo diferente para todos e que muda conforme envelhecemos. Muito obrigado pela entrevista! Foi um prazer e esperamos que vocês aproveitem 2017!

    Floor: Com certeza! Desejo-lhe o mesmo. Voltaremos a nos falar em 2018 com certeza! Até lá!

    Floor Jansen deu esta entrevista a Mark Rockpit em Dezembro de 2016.


    ‘Vehicle of Spirit’ (A Casca da Alma): A palavra ‘Vehicle’ denota algo que serve como intermediário para que um terceiro execute suas funções. O corpo, portanto, é o veículo, a “casca” pelo qual a alma se expressa. 😉


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  • Musicalypse.net: Floor Jansen

    Musicalypse.net: Floor Jansen

    Via Musicalpse | Tradução: Head up High, my dear!

    Com o lançamento de “Vehicle of Spirit” marcado para o fim deste ano, Tuomas Holopainen, Marco Hietala e Floor Jansen viajaram para Helsinque no dia 29 de setembro para promover o futuro DVD da banda na mídia finlandesa da qual fazemos parte. Após a exibição exclusiva para a mídia, nós tivemos a chance de bater um papo rápido com a Floor sobre o DVD, a vida como vocalista do Nightwish e algumas outras experiências de vida.

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    Bom, acabamos de assistir ao novo DVD, “Vehicle of Spirit”. Como você se sente em relação a ele quando comparado ao “Showtime, Storytime”?
    Os shows ocorrem com alguns anos de diferença entre um e outro. Apesar dos shows que fazemos em festivais terem a nossa organização de palco, decoração e tudo mais, estes foram shows solo e não participações em festivais. Eu não quero fazer muitas comparações, pois eu acho que ambos os DVDs são trabalhos diferentes, com sentimentos diferentes e em momentos diferentes da nossa história. Este é o registro DESTA turnê mundial, então gravamos dois shows e conseguimos realizar bastantes filmagens em outros lugares, o que apresenta um conceito diferente do apresentado em “Showtime, Storytime”. Havia shows, mas tivemos um parte mais narrativa com um documentário bastante longo. Neste caso, é bem diferente, pois são apenas as filmagens ao vivo.

    2016-09-29-nightwish-pre-viewing-kalevalastudio-3Qual o seu momento preferido do DVD ou qual a sua memória preferida de alguns dos shows gravados?
    Floor: Para mim, um dos melhores momentos do show de Tampere foi cantar “Sleeping Sun” numa passarela em meio ao público. Foi bem assustador. Eu estava usando um par de sapatos que tornava… difícil andar [risos]. Eles eram lindos! Como qualquer mulher, eu quis usar algo muito bonito, mas que não é muito prático, especialmente ao descer sob uma superfície curva e lisa. Uma música como “Sleeping Sun” só é verdadeiramente linda quando cantada da maneira certa, então não se pode cometer erros. Tudo precisa estar de acordo com a dinâmica do momento e fazer tudo certo ao andar numa passarela em meio a 23 mil pessoas foi, de fato, um desafio. [risos] Mas eu fiquei muito feliz com o resultado.
    No show do Wembley, eu acho que foi o momento em que Richard Dawkins falou e fez aquela breve pausa ao final, dizendo “Where endless forms most beautiful… … …and most wonderful…“. Nessa hora, eu me lembro do quão ansiosa eu fiquei ao pensar “Será que ele esqueceu a fala dele? E agora?”. Mas, então, ele continuou e a reação do público, como vimos na exibição do DVD, foi muito mais intensa do que eu imaginava. Foi, de fato, de tirar o fôlego. Quando eu assisti pela primeira vez em casa, eu chorei de emoção e eu vi a plateia ter a mesma reação! As pessoas choravam e acenavam assim [veja a foto] ao ouvir o Richard. Foi incrivelmente emocionante ver que todos se sentiram como nós nos sentimos, que captaram o que queríamos compartilhar.

    Durante a turnê do “Endless Forms Most Beautiful”, vocês utilizaram um cenário de palco bem minimalista em comparação a peças utilizadas anteriormente, como, por exemplo, o órgão gigante do Imaginaerum ou o barco do Dark Passion Play. Quem elabora o cenário e por que ele se tornou mais simples desta vez?
    Floor: Nós mesmos elaboramos tudo. Acho que a maior parte das peças físicas do cenário foram substituídas por telas e conjuntos de telas, que eu garanto não serem minimalistas [risos]. Além disso, em Tampere, um grande conjunto de luzes desceu durante o show. Em geral, já utilizamos conjuntos de luzes diferentes, então, nesse sentido, ele não é mais minimalista, mas apenas mais tecnológico. Afinal, nós ainda tempos o nosso cenário. Há uma peça bem grande em volta dos teclados do Tuomas, peças especiais para o Troy, o Marco tem aquela árvore dele e eu também tenho a minha peça. Então, por isso, eu só vejo como algo diferente.

    2016-09-29-nightwish-pre-viewing-kalevalastudio-5Sabemos que o Nightwish planeja tirar um ano inteiro de folga após os shows na Ásia. Quais são os planos da banda para após essa pausa? Vocês pretendem voltar a trabalhar em estúdio?
    Floor: Temos alguns planos, mas não contaremos nada, pois temos algo muito especial planejado e eu costumo ver as pessoas interpretando coisas que dizemos em entrevistas de maneira distorcida. Por exemplo, coisas como “não faremos nada em 2017, mas faremos algo especial que só será revelado em 2018” são interpretadas como uma hipótese de “eles gravarão algo em estúdio em 2017”, mas, às vezes, as pessoas simplesmente publicam coisas assim como se fossem verdade e eu fico pensando “Mas nós não dissemos nada disso”. Nós vamos, sim, tirar um ano inteiro de folga para descansarmos da melhor maneira possível, até porque uma banda como o Nightwish merece isso. Simples assim. Após 20 anos de trabalho ininterrupto, não me parece algo estranho nem nada do tipo. Mas há algo, sim, em desenvolvimento que ainda não (nem iremos) podemos revelar. Tudo o que posso dizer é que é algo especial e que as pessoas gostarão.

    Você ou algum dos outros membros tem pensado em voltar a trabalhar em algum outro projeto, como o Brother Firetribe, o Tarot ou o ReVamp?
    Floor: Eu sei que o Emppu trabalhará com o Brother Firetribe e acho que o Kaitsu tem pensado em produzir algo com o Wintersun. Ele vai dar aulas. Marco está trabalhando num álbum solo, assim como o Troy. Eu percebi que ter uma banda como o Nightwish… torna muito difícil ter uma segunda banda. Eu tenho tido minhas dúvidas com o ReVamp, porque acho que eles merecem tanta atenção quanto qualquer outra banda. Mas fazer isso tem sido muito difícil e, agora que serei mãe, a dificuldade de me dedicar plenamente ao ReVamp é ainda maior. Por isso, decidi abandonar o ReVamp. Então, o meu foco será no meu bebê e em cuidar dele. Mas, em 2008, eu gravei um álbum com um guitarrista norueguês chamado Jorn Viggo Lovstad, do Pagan’s Mind. É algo interessante para nós dois, mas é um estilo musical diferente e nunca foi lançado. Então, sem prometer nada, confesso que temos, sim, o interesse em trabalhar neste álbum assim que possível.

    Com relação ao material do Nightwish, qual música foi mais difícil de cantar?
    Floor: Não consigo escolher uma música em particular que tenha sido mais difícil do que as outras. Há trechos nas músicas que não fluem naturalmente. “Amaranthe”, por exemplo, foi mais difícil no início por causa do ritmo mais pop, algo ao qual não estou acostumada e que, nesse sentido, tornou tudo mais difícil. “Sleeping Sun” foi difícil pelas razões que eu já mencionei, pois ela precisa ser cantada de uma maneira muito particular. Ela não pode soar muito operática nem suave demais, mas construir uma sensação conforme a música é tocada… esse é o desafio. E é claro que as notas mais agudas em “Ghost Love Score” são um desafio. Então, eu diria que são trechos das músicas e não as músicas inteiras.

    Você teve e aprender alguma técnica vocal nova para conseguir cantar as músicas do Nightwish ou o que você já sabia era suficiente?
    Floor: Era o suficiente, mas eu aprendi… não exatamente técnicas novas, mas aprender a cantar algo diferente, especialmente material voltado para um canto mais suave e delicado. Isso foi algo que eu raramente fiz na minha carreira.

    2016-09-29-nightwish-pre-viewing-kalevalastudio-7Há alguma canção mais antiga do Nightwish que você ainda não tenha cantado ao vivo, mas que gostaria de fazê-lo?
    Floor: [risos] Várias, várias! Há várias músicas menos comuns no catálogo do Nightwish que não conseguimos tocar em um show, pois há oito álbuns recheados de opções de músicas. Esta é a turnê mundial do Endless Forms Most Beautiful, então nós nos focamos nas músicas do álbum novo. Ainda assim, há músicas como “The End of All Hope”, cujo ritmo eu sempre achei acelerado. Sou péssima com nomes, mas “Gethsemane” e por aí vai.

    Você emprestou a sua voz a várias outras bandas nos últimos tempos. Você tem alguma participação que tenha feito de que goste mais?
    Floor: Não, mas, recentemente, eu participei de um álbum do Evergrey, uma banda sueca que eu ouvi bastante quando era adolescente. O meu futuro noivo era baterista no Evergrey, então, quando eu me mudei para a Suécia, eu conheci o vocalista outra vez (nós nos vimos antes, mas de maneira diferente). Quando ele me convidou para participar do álbum, foi algo muito especial, pois foi um pedido com base na amizade que tinhamos. Mas, com exceção de um projeto ou ouro, eu coloquei o meu coração em tudo o que fiz, pois eu realmente gosto das bandas com as quais trabalho e só trabalho com aquilo que realmente gosto nos dias de hoje.

    Você tem viajado bastante. Quais lugares você mais gostou de visitar? Há algum lugar que você ainda queira visitar?
    Floor: Um país novo para mim nesta turnê mundial foi a China. Por alguma razão, eu não imaginava que fosse gostar de lá. Há algumas coisas que os chineses fazem que não batem com a minha visão de mundo, mas eu gostei muito de visitar o país. A pessoas são fantásticas, a comida era ótima e tudo era muito… foi uma grande surpresa para mim.
    Gosto muito do Japão e acho o país sensacional. Também adoro o Canadá, especialmente a cidade de Vancouver. Os parques e outras áreas da cidade são muito bonitas.
    Agora, os lugares que ainda não visitei… já estive no Brasil várias vezes, mas nunca visitei a Amazônia e eu gostaria muito de ver essa região do país. Eu já visitei a Austrália algumas vezes, mas nunca vi nada além das cidades por lá. Não fui ao outback. Se eu fizesse uma lista de coisas a fazer, a Islândia seria um país que eu adoraria conhecer.

    Ainda nessa linha de perguntas, qual tipo de comida você mais gostou de experimentar quando em turnê?
    Floor: Tivemos um serviço de catering bem chique nos acompanhando na turnê e eles fizeram seitan. Sou vegetariana e, às vezes, é difícil encontrar algo para comer que seja gostoso. Não é tão difícil, mas parece que alguns serviços de catering têm dificuldade com isso. A quantidade de comida sem graça que eu preciso comer às vezes leva em consideração não haver carne nela, mas o serviço fez o que podia para cozinhar vários pratos vegetarianos. Apesar de o meu corpo não gostar tanto, o sabor era muito bom.

    2016-09-29-nightwish-pre-viewing-kalevalastudio-11Soubemos que você é uma fã de Kalevala. Você chegou a ler bastante?
    Floor: Eu li um pouco. Eu conheci especialmente por causa da minha marca de joias pra ser honesta. Eu me juntei a este projeto para crianças em que uma das histórias do Kalevala é contada. São contos muito bonitos.

    Há alguma parte que você considere marcante ou que goste bastante?
    Floor: Não conheço muita coisa. A que eu conheço é a história do Leminkainen, que era linda. No geral, o Kalevala é bem sombrio e pesado.

    Por último, eu percebi que o último álbum do ReVamp, o Wild Card, contou com a participação de Devin Townsend em “The Anatomy of a Nervous Breakdown: Neurasthenia” e ele é conhecido por não cantar nos projetos de outros artistas. Como você o conheceu e como conseguiu convencê-lo a cantar naquela música?
    Floor: Nossa, acho que nos conhecemos no backstage de um festival. Eu me aproximei, fiz o convite e ele disse “Olha, eu realmente não costumo fazer isso. Depende do material e eu quero poder compor ou escrever a letra do que eu vou cantar” e eu respondi “Maravilha!”. Então, eu mandei o instrumental da música e as minhas sugestões para os vocais junto, garantindo toda a liberdade para que ele fizesse o que achasse melhor. Mas, nesse período, eu acabei ficando super ocupada e tive medo de que ele decidisse não participar. Depois de algum tempo, ele disse “eu gostei muito do que você compôs e vou participar”, o que realmente foi algo incomum! E então foi aí que Devin Townsend deu aquele tom especial que só ele é capaz de produzir. Não é 100% cópia, mas é claro que as letras são minhas e a melodia-base que eu compus, então foi uma honra imensa ter a participação dele ao lado da minha. E foi muito importante ter essa diversidade vocal no álbum e poder contar com uma voz como aquela junto da minha no álbum foi um sonho realizado.

    Foi uma história incrível! Estas foram as minhas perguntas. Muito obrigado por aceitar participar desta entrevista!

    Texto: Amy Wiseman | Fotos: Jana Blomqvist

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  • Floor Jansen: nightwishforum.com

    Floor Jansen: nightwishforum.com

    via Fórum Oficial | Tradução: Head up High, my dear!

    Recentemente Floor respondeu diversas perguntas dos fãs lá no fórum oficial do Nightwish.

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    Ω

    1: Quando você bate cabeça, você costuma sentir uma tontura logo em seguida? Se sim, isso atrapalha na hora de cantar?
    Floor: Para mim, cantar é mais importante do que fazer qualquer outra coisa. É claro que andar pelo palco é o que torna aquilo em um show, mas nada disso pode interferir na hora de cantar. Eu não sinto nenhuma tontura ao bater cabeça, mas, às vezes, quando a temperatura está muito alta, eu sinto um pouco atordoada, como quando a gente se levanta muito rapidamente. O importante é manter a respiração sob controle independente do que eu faça, incluindo o bate-cabeça.

    2: Gostaria de saber se foi muito difícil começar a cantar, pois deve ser um tanto complicado ser o seu próprio instrumento. Você tem algum conselho para os músicos iniciantes?
    Floor: Por que começar a cantar seria difícil? Talvez se torne algo maior quando você cria ambições (e expectativas) quanto a isso. Ainda assim, eu me pergunto o que aconteceu com cantar simplesmente por cantar, sabe? Foi o que eu fiz, basicamente. 🙂 Eu gostava de cantar e queria fazer essa atividade cada vez mais depois que me apeguei a ela. Pouco tempo depois, eu quis ir além e aprendi que, se você for bom o suficiente e quisesse dedicar sua vida a isso, você poderia estudar em um conservatório. Eu era nova e tudo o que eu poderia fazer era seguir o meu coração, e foi isso que fiz. Então, começar a cantar nunca foi algo difícil! São as expectativas que você ou terceiros tem com relação a você que podem ser difíceis de lidar. Apesar de tudo isso, eu acredito de coração que cantar é algo que deva ser divertido para quem o faz. Independente das ambições e do talento, a regra é: divertir-se antes de mais nada!

    3: Achei os vlogs sobre a sua mudança para a Finlândia e sobre o progresso no aprendizado da língua finlandesa muito interessantes. Como alguém que também é holandês e pretende aprender finlandês um dia, você teria algum conselho para dar?
    Floor: Finlandês é uma das línguas mais difíceis do mundo. Pode até soar meio exagerado, mas é a verdade. Não se escolhe uma palavra aqui e ali ou baixa-se um app no seu celular, pois isso não vai te levar muito além de aprender a dizer kiitos (“obrigado”). 🙂 Finlandês não é como as outras línguas e o finlandês escrito (a variação oficial) é utilizado apenas por autoridades governamentais e jornais. A diferença entre o finlandês escrito e o falado é imensa, pra não citar os vários dialetos que fazem com que você tenha dúvidas até mesmo com relação àqueles que você imaginava entender um pouquinho. No entanto, não é nada impossível. Na minha opinião, acho que só há um progresso palpável quando a gente se muda pra lá e vive a língua 24/7. Eu me mudei e esse foi um bom começo, apesar de me frustrar um pouquinho aqui e ali por ainda não ser ter um nível de linguagem superior ao de uma criança mesmo após um ano e meio estudando (em outro país, deixando claro). Mas aí eu conheci a pessoa que seria o meu referencial da língua sueca. É difícil aprender uma língua como essa quando não a falamos no nosso país natal e é ainda mais difícil quando outra língua entra no meio da bagunça toda. Mas, se é isso o que você deseja, vá para a Finlândia! Absorva a língua, o povo, a cultura, esteja lá, viva lá. Eu amei essa experiência! Mudar-se do seu país natal para morar em outro país é algo assustador, mas foi algo que abriu os meus olhos e se tornou uma das melhores decisões que eu já tomei! Hoje, moro na Suécia, pois não conseguiria mais deixar “o norte”. Para mim, foi amor à primeira vista.

    14264873_10210585615426056_3185364167001326959_n4: Você gosta das “mitologias” de outras culturas? Se sim, há alguma em particular que seja a sua favorita?
    Floor: Recentemente, eu fui apresentada à mitologia nórdica e às histórias incríveis de como a Terra foi criada (de acordo com a mitologia, é claro), de qual divindade fez isso ou aquilo e de conflitos e emoções típicos da raça humana, assim como qualquer divindade em qualquer mitologia. Eu sempre me perguntei quem decidia se um livro em particular faria parte ou não da mitologia (sugerindo que fosse um mito e não algo verdadeiro) e outro livro diria a verdade sobre as coisas (a Bíblia, o Alcorão etc.). Para mim, todas envolvem ótimas histórias com aprendizados sobre o que é certo e o que é errado. Eu mesma adoro me perder em estórias nessa linha mais fantástica, então essa parte de mitologia é bem a minha praia. Elas apresentam um conhecimento muito maior sobre os seus países de origem, o que é algo que eu gosto muito.

    5: O documentário feito por fãs mudou a sua visão de mundo sobre o seu papel e a sua contribuição cultural e social?
    Floor: Ele não mudou a minha visão das coisas, mas talvez tenha tornado algumas coisas mais claras. Já o meu papel é visto de diferentes maneiras por cada pessoa. O amor pelo Nightwish que cada um sente é diferente, também. A minha contribuição, por sua vez, é absorvida e interpretada de maneiras diferentes por cada um, o que também se tornou claro para mim e que é algo muito bonito. Eu só posso ser eu mesma e, no entanto, se eu me torno algo mais do que isto, está tudo nos olhos de quem vê.

    6: Qual é o seu alcance vocal?
    Floor: Quando eu comecei a cantar, eu tinha um alcance de 3 oitavas. Os tons mais graves eram o meu maior problema e não o contrário. Como o céu parecia ser o limite, eu passei a experimentar tons cada vez mais altos e estridentes. 🙂 No entanto, cantar em diferentes estilos e usando tipos variados de dinâmicas nunca me vieram à mente até que eu comecei a estudar e explorar as minhas capacidades. Cantar em tons mais graves? Por quê? 🙂 Era isso o que eu pensava até encontrar o meu registro mais grave e forte, e aprendi a explorá-lo também. Agora, canto mais forte ou até grunhir? Eu não fazia ideia do que seja isso, pois não era algo natural para mim até que eu comecei a cantar ao vivo no After Forever. Eu não fazia ideia do que era isso até que eu fiz ao vivo, mas não consegui fazer fora do palco. Na época, eu encontrei um novo método vocal criado pela Catherine Sadolin, da Dinamarca, chamado “Técnica Vocal Completa”. Tudo isso aconteceu depois que eu me formei e esse foi o primeiro método vocal que fez sentido de verdade para mim, incluindo as explicações e exercícios de canto distorcido e grunhido (além de vários outros efeitos de que a voz humana é capaz, basicamente). Ótimo, agora eu sabia fazer essas coisas e adorava técnicas vocais. Eu me considerava toda CDF quando o assunto era esse e foi então que um novo desafio surgiu. Eu passei a sentir e logo encontrei o ponto principal das minhas contas vocais. Então, qual é o meu alcance vocal hoje em dia? 4 oitavas. Mas o que isso diz sobre a minha viz? Nada, pois não é uma garantia de qualidade. 🙂

    7: Você provavelmente recebe vários presentes de fãs do mundo todo. Quais tipos de presentes você recebe e quais foram os mais estranhos, os mais bonitos etc?
    Floor: Nós recebemos muitos presentes muito bacanas, mesmo. Todos eles costumam ter um toque pessoal, são feitos a mão e, geralmente, vêm do país que estamos visitando naquele momento. Isso é algo que torna cada um desses presentes muito especiais e eu nunca escolheria um como favorito. Algumas pessoas me dão presentes no impulso e acabam dando algo que elas vestem ou usam naquele momento. Uma joia, peça de roupa ou algo do tipo. Algumas crianças passam horas e horas desenhando algo que o pai ou a mãe, orgulhosos, vêm me entregar junto da criança toda tímida. Alguns adultos fazem o mesmo, com essa criança tímida interior, quando me entregam algum presente feito à mão. A pergunta certa é o que é que não é estranho e, ao mesmo tempo, absolutamente lindo em todos eles? Eu sou muitíssimo grata por todo o carinho que recebo!

    8: Por que vocês diminuem um tom nas música pré-Century Child (como “She is my Sin”)?
    Floor: Todas as músicas mais antigas são tocadas um tom abaixo por terem todas sido gravadas em E, ao passo que o material mais recente é gravado em D. Tudo isso é feito a fim de evitar a necessidade de guitarras e baixos extras em ambas as passagens e mudanças nas partes do teclado quando tocamos as músicas antigas.

    0floor9: Quais são as suas marcas ou produtos de beleza preferidos?
    Floor: Qualquer marca que não teste seus produtos em animais. Eu não tenho nenhuma que seja a minha favorita, pois gosto de qualquer uma que fique bem e não saia com facilidade já que fico batendo cabeça durante o show inteiro e o calor corporal durante é grande. Gosto de maquiagem, não não uso o tempo todo. Descobri que o meu rosto “nu” também é lindo e que não precisa e nada nele foi algo libertador. Todas nós somos lindas sem maquiagem! É claro que é divertido usar esses produtos, mas é errado dizer que uma mulher só é bonita com maquiagem…

    10: Você tem algum(a) designer de moda ou loja preferida? Você se inspira em outras coisas para produzir as suas peças de roupa personalizadas?
    Floor: Não tenho favoritos ou favoritas. Acho que moda é um conceito cansativo que muda muito rapidamente. Os jovens se sentem forçados a se encaixar em um padrão irreal, especialmente as meninas que são doutrinadas a acharem isso normal. Ser magra, vestir isso, fazer uma maquiagem daquele jeito e arrumar o cabelo assim… pff… imagens editadas de mulheres que passam suas vidas inteiras se dedicando a serem bonitas transmitem toda sorte de mensagens que não tem nada a ver com um par de calças ou uma camiseta bonitinha. Então, a moda deve ser tudo o que agrada a VOCÊ. 🙂
    Quanto ao meu figurino de palco: preciso que me sirva bem e se encaixe bem no meu corpo, com seus prós e contras. Preciso, também, que seja confortável o suficiente para que eu possa andar pelo palco, respirar direito, além de ser feminino e ter uma aparência geral legal. Pode ter a cor que for ou ser feito do tecido que seja, e pode mudar bastante com o passar dos anos. 🙂

    11: Você recebeu algum conselho que guardou e que a ajudou muito?
    Floor: Os meus queridos pais me deram vários conselhos que guardo com muito carinho e sou muito grata por toda a orientação que recebi deles. O rapaz que fez a mixagem do segundo álbum do After Forever, Oscar Holleman, me deu um conselho que eu nunca vou me esquecer, também. Ele me disse que só olhamos como seres humanos e espíritos criativos se trabalharmos com as pessoas certas. Precisamos nos cercar dessas pessoas para termos uma rede de segurança enquanto seguimos pela vida. Quando nos sentimos seguros, nos mantemos abertos, frágeis, verdadeiros, nus. Quando nos sentimos seguros, conseguimos ser artistas para sempre. Sem isso, nós simplesmente brilhamos e apagamos. Como eu sabia que isso era verdade, eu consegui me encontrar um pouco depois, após encontrar a minha “rede de segurança” de pessoas incríveis que eu amo e em quem confio. Eu nunca me esquecerei dessa metáfora. Ele tinha toda a razão!

    12: Você gostaria de escrever um livro sobre si mesma um dia? Se sim, do que ele trataria?
    Floor: Essa é uma boa pergunta. 🙂 Eu adoraria escrever um livro assim e sempre tive a ideia de fazê-lo. Amo ler e sempre admirei um livro bem escrito. Vejo isso como uma arte incrível que não conheço muito bem, mas pela qual me interesso. Talvez um dia eu escreva um livro de literatura fantástica, pois tenho uma imaginação bem fértil. haha Eu também gosto da ideia de escrever uma biografia, mas vou analisar melhor a ideia quando estiver na minha cadeira-de-balanço, aos 85 anos quando tiver bastantes histórias pra contar.

    12043131_10156016486090333_7752372765065674529_n13: Você já trocou de lugar com a sua irmã por conta de algo? Vocês se parecem muito.
    Floor: De longe, eu e a Irene nos parecemos muito, mesmo. Mas, se você olhar melhor, verá várias diferenças, também, então nunca fizemos algo do tipo. Temos personalidades muito diferentes e você saberia quem é quem mesmo sem nos ver. Você já reparou que eu tenho olhos azuis e a Irene, marrons? Ou que ela é mais alta que eu? Que o meu cabelo é uns 25 cm maior e que o dela é um pouco cacheado? Ah, e ele tem uma cor completamente diferente também. 🙂 As nossas vozes também são semelhantes, assim como a nossa aparência. Elas soam bem quando juntas, então é bem divertido cantar com ela!

    14: Quando você não está em turnê, você faz uma pausa no canto ou continua sempre praticando?
    Floor: Cantar não é bem algo que eu faça, é mais parte do que eu sou. É parte de mim quando eu respiro, quando como, quando saio. 🙂 Pratico às vezes, mas, na maioria das vezes, simplesmente canto por diversão e por precisar, assim como o ato de respirar.

    15: Você assume mais desafios como cantora do que gostaria ou não?
    Floor: Eu não tenho nenhuma meta definida, mas acredito estar sempre aprendendo, crescendo e mudando conforme envelheço. A minha ambição mesmo é seguir assim e ser capaz de cantar o meu último suspiro.

    16: Quanto por cento de uma boa performance são reflexo de talento e quanto são reflexo de prática?
    Floor: Não existe uma resposta absoluta. É puramente uma questão de percepção. Uma pessoa extremamente talentosa não precisa de treino, mas a experiência fará um show bom se tornar simplesmente sensacional. Se a pessoa tem menos talento, mais prática ajudará essa pessoa. Mas prática sem talento não faz de ninguém um bom musicista.

    17: Será que você tocaria a sua flauta num futuro show? Talvez num dueto com o Troy?
    Floor: O Troy toca tantos instrumentos com um talento tão incrível que eu não vejo o porquê de eu me juntar a ele para tocar flauta só por saber fazê-lo.

    18: De quais coisas da Holanda você sente mais falta agora que mora fora do seu país natal?
    Floor: Coisa da Holanda? Bom, não sinto falta de coisas, mas de pessoas. Sinto falta da minha família, do meu cachorro e, às vezes, gostaria até que os países fossem do tamanho da Holanda, pois, lá, não se percorre longas distâncias para chegar a lugar nenhum. Por outro lado, o tráfego de 17 milhões de carros num país tão pequeno é algo de que nunca sentirei falta. O bom da Suécia (e da Finlândia) são essas estradas largas e tráfego pequeno (e os motoristas cuidadosos!).

    19: Recentemente, eu passei a ter aulas de canto clássico e estou adorando, mas tenho receio de que eu acabe tentando cantar tudo seguindo essa linha mais clássica. Qual conselho você daria para que uma pessoa conseguisse adquirir essa flexibilidade para mudar a voz de acordo com diferentes gêneros musicais?
    Floor: Recomendo encontrar um professor que tenha estudado a “técnica vocal completa”. É o único método vocal que eu acredito ser realmente bom em termos de ensino mais diversificado de canto. E experimente por conta própria. É a SUA voz e você não descobrirá nada se não sair da zona de conforto. 🙂

    20: Qual é a pior piada com o seu nome que você já ouviu?
    Floor: Elas costumam ser meio que as mesmas já que há apenas dois significados em inglês (Floor – andar e Floor – tipo de piso, chão). Eu me lembro de uma ocasião nos EUA, quando eu fiz o check-in em um hotel e a moça da recepção levantou uma sobrancelha, perguntando: “Floor? Esse é MESMO o seu nome?”. Eu respondi que sim e, logo em seguida, percebi a piada de nível internacional que era o meu nome. 🙂 Ela sorriu e disse: “Floor… eu vou guardar esse nome.” Nada demais, mas o jeito que ela disse e o jeito que ela me olhou foram hilários. Então, é só um nome holandês. Nada demais. Há muitos nomes que só são comuns em seus países de origem e eu gosto disso. Ter um nome típico de onde você vem tem um charme único. Ainda mais agora que viajo com tanta frequência e moro em outro país, essas coisas têm outro significado pra mim. É algo que te torna único.

    13315486_981429361977906_8965497372334852657_n21: Estou estudando para cuidar de animais, que é um trabalho que exige uma boa forma física. Você é um ótimo exemplo de pessoa saudável, então as perguntas são: como você trabalha os seus músculos? Você se exercita regularmente ou tende a fazê-lo quando sente vontade? Dicas de exercício também são bem vindas!
    Floor: Todos precisam de um corpo saudável e todo precisam mantê-lo saudável de um jeito ou de outro. Isso não significa que eu acredite que todos devemos parecer o Arnold Schwarzenegger. 🙂 O que eu quero dizer é que esse tipo de atividade melhora a sua saúde, dá mais energia, aumenta a sua resistência física e imunológica, além de garantir o envelhecimento com menos complicações. Agora, é divertido? Para alguns, sim. Eu gosto! Mas é um fato inegável que a sensação de bem estar fica mais forte. Comer bem, ter uma rotina de exercícios e dormir bem são a chave de tudo. Sair um pouco disso e comer algo pesado ou beber um pouco mais também não fazem tão mal, pois farão os momentos de exercício mais fáceis de lidar. Além disso, todo mundo precisa da sua cota de diversão.
    Eu não sou capaz de dizer o que funciona pra você ou não. Vá a uma academia e descubra. Ter uma boa orientação ajuda a prevenir lesões causadas por exercícios ou prática de esportes. Eu tenho um app no meu celular para um programa de treino variado. Ele se chama “Nike Training”. Para mim, é importante poder me exercitar em qualquer lugar. Também gosto de praticar ioga e fazer caminhadas na floresta. 🙂 Eu costumava correr, mas descobri que não tenho aptidão física para isso, além de ter muita coisa pra fazer. Boa sorte a quem se dedica a isso! Lembrem-se: é melhor treinar 10 minutos todo dia do que duas horas por semana!

    22: Você já pensou em vender algum figurino, como aquela jaqueta que você usou no Wembley? Ela é tão bonita! Eu pagaria o que fosse para ter uma jaqueta como aquela (tudo bem que sou estudando e não tenho tanto dinheiro haha).
    Floor: Na verdade, sim. Já pensei em vender alguns figurinos e acessórios “antigos” para angariar fundos para alguma boa causa. Preciso de tempo para organizar tudo isso e encontrar alguma causa em particular para apoiar, pois há muitas que precisam de atenção. Talvez até apoie várias ao mesmo tempo. Orçamento é algo que eu gostaria de levar em conta. 🙂 Alguma sugestão de causa que precise de apoio?

    23: Há algum aspecto em especial da ciência de que você goste?
    Floor: O que mais me fascina é que a ciência está ao nosso redor o tempo todo. Ela é parte integrante do nosso cotidiano e vê-la, percebê-la e entendê-la foi incrível. Eu meio que não dava bola.
    Isso e o fato de que ela está sempre em desenvolvimento. Todos os dias, mentes ao redor do mundo descobrem algo novo e incrível, e os cientistas são as pessoas que levam essas notícias ao resto do mundo. Nós descobrimos como melhorar isso, uma cura para aquilo e por aí vai. Eu só gostaria que os noticiários divulgassem mais esses “milagres”. Seria uma mudança renovadora no meio midiático que insiste em discutir as falhas do ser humano como guerras, crime etc.

    24: O que exatamente acontece em “The Greatest Show On Earth” quando você canta o trecho “The cosmic law of gravity…”? Costumamos vê-la tão cheia de energia no palco que ficamos surpresos ao vê-la quieta ao cantar essa parte ao vivo.
    Floor: haha Bom… eu uso uma voz monótona, quase robótica. Não sou “eu”. É a voz do cosmos. Visualizando isso, eu me sentiria deslocada correndo pelo palco, fazendo contato visual com a banda e com os fãs.

    tarja-y-floor-225: Você sentiu alguma energia negativa de algum membro do Nightwish após aquele dueto com a Tarja?
    Floor: Não. E a única razão pela qual eu respondo a essa pergunta é que todos os os envolvidos estão de saco cheio dessa besteira infantil que persiste sobre a banda e a Tarja. A banda desejou tudo de bom a mim e a Tarja, como qualquer pessoa adulta faria.

    26: Parece que o debate sobre vocalistas não deixará de existir tão cedo. Você espera que isso acabe logo ou simplesmente aprendeu a lidar com isso?
    Floor: Nós aprendemos a lidar com isso, porque todos têm direito às suas opiniões e aos seus sentimentos a respeito do assunto. Ainda assim, a internet se tornou um lugar bem chato por causa disso. Já seguimos em frente, pois isso já faz tantos anos. Por que continuar gastando saliva com isso? Parem com isso, deixem de dar atenção a quem insiste nisso, respirem fundo (de novo) e se juntem a nós no aqui e agora.

    27: Quantas placas de “Cuidado! Chão molhado” (“Caution! Wet floor”) você tem? Você tinha uma em chinês?
    Floor: haha, várias, mas nenhuma em chinês. Talvez eu consiga uma da próxima vez. 🙂

    28: Chá ou café?
    Floor: Café de manhã e chá à tarde e à noite.

    29: Você costuma estar mais bem humorada de manhã ou à noite?
    Floor: De manhã…

    30: Comida apimentada ou doce?
    Floor: Apimentada.

    31: Você costuma planejar muito ou é mais espontânea?
    Floor: Costumo planejar bastante.

    32: No inverno, você prefere ir esquiar ou ficar em casa lendo?
    Floor: Gosto de ambos.

    33: Cães ou gatos?
    Floor: Cães, mas, se não tiver de escolher, ficaria com os dois. 🙂

    34: Sapatos com ou sem saltos?
    Floor: Sem salto. Eu gostava de usar saltos, mas deixei de lado. Com os meus 1,81 de altura, não preciso de saltos, mas os acho bonitos. Os pés e o corpo, por outro lado, não concordam muito com o uso de saltos. 🙂

    35: Qual a sua opinião sobre a barba do Marco?
    Floor: Ah, essa é uma pergunta importante! haha 🙂 Bom, se eu fosse loira e fosse um homem, eu teria MUITA inveja, mas sou mulher. Então, eu passo horas retocando a maquiagem e arrumando o cabelo. Nisso, o Marco aparece, dá uma ajeitada na barba, pega o baixo e já está com tudo pronto para subir no palco todo bonitão! Droga!

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  • Metal Hammer – tradução

    Metal Hammer – tradução

    Fonte: Metal Hammer  | Tradução: Head up High

    Ω

    Depois de três vocalistas, o Nightwish está na sua melhor forma

    Metal Hammer

    O que não matou o Nightwish apenas o tornou mais forte.

    Há muitas coisas que são verdades no meio do metal, mas que não devem ser ditas. Não se deve dizer que, na hora do “vamos ver”, o Megadeth e o Mayhem são piores do que o time West Ham United jogando em casa (numa semana eles mandam ver e na outra perdem pra um time qualquer), por exemplo. Não é nem um pouco educado dizer que, apesar de influentes, o disco “Scum” está longe de ser o melhor do Napal Death. Além disso, ninguém quer ser o primeiro a admitir que o gênero do death metal está num limbo criativo desde o lançamento do disco “Organic Hallucinosis”, do Decapitated. Mas se tem algo que vai render um bocado de fãs furiosos te dizendo pra ir tomar num canto meio incomum, esse algo é dizer que o Nightwish com os vocais de Floor Jansen não é apenas melhor do que na época da Anette, mas melhor até mesmo do que a época da própria Tarja. A verdade é que a banda nunca foi tão boa como é agora.

    Discutir a questão “Anette vs Floor” não é difícil e, apesar de ser um tanto duro com a antiga vocalista, é possível encontrar algumas opiniões contrárias por aí, mas em número menor. Não é possível negar que a Anette foi uma ótima vocalista de metal com um tom mais “pop”, mas Floor consegue ir além e com mais intensidade, ênfase nos tons e muito mais personalidade nas canções para começo de conversa. Mas é claro que não é só isso: ela sabe muito bem lidar com as canções antigas, também. Músicas como Stargazers voltaram ao setlist da banda recentemente (uma das melhores surpresas do Hellfest deste ano) com direito à toda a interpretação dramática e pormenores da música – algo que Anette não conseguia fazer tão bem. Fora tudo o que foi mencionado, Floor sempre foi uma cantora de metal com uma carreira sólida e vocais guturais agressivos. Ainda assim, apesar da contribuição de Anette em Imaginaerum ter sido sensacional, foram necessários apenas 15 minutos de show e três do novo disco do Nightwish, Endless Forms Most Beautiful, para perceber que a sueca não faz tanta falta.

    Já a questão envolvendo Tarja é bem mais difícil até porque ela foi a vocalista que com a qual a banda se firmou e colocou seu nome na história e a vocalista com quem compuseram seus álbuns mais famosos, ajudando a definit (para bem ou mal) todo um nobo subgênero no heavy metal europeu. Os fatos são inegáveis. Os primeiros cinco álbuns (até mesmo Angells Fall First, que serviu mais de base para o som da banda) ainda são alguns dos melhores mesmo após quase 20 anos. O disco Wishmaster tem tantos clássicos que não seria relançá-lo como um “Best of”. Quanto ao disco Oceanborn e sua atmosfera sombria, não houve nenhuma banda com uma vocalista vestindo espartilho que conseguisse alcançar o mesmo nível. Por último, o disco Century Child provou que a banda era capaz de produzir muito mais do que simples hits.

    No entanto, foi o disco Once que mostrou algumas rachaduras na base de tudo e isso não diz respeito às composições de Tuomas, que eram incríveis, ou à voz de Marco cada vez mais presente (a presença deste ilustre membro da Tarot, inclusive, foi uma grande revelação para o Nightwish e chega a ser até estranha a ideia de ele não cantar desde o início). Não é uma questão da clareza e da capacidade de canto do Marco, mas de sua capacidade de adaptar uma música tão facilmente a um contexto (basta comparar suas participações em I Wish I Had An Angel, The Crow, The Owl and the Dove e em Weak Fantasy, por exemplo).

    O problema é que, olhando para trás, percebe-se que o Nightwish se desviava cada vez mais do subgênero “opera metal” (é possível dizer que até o abandonaram a partir desde ponto da carreira). As doces melodias vocais presentes nos primeiros trabalhos da banda passou a abrir espaço para um tipo de metal mais tradicional e com menos espaço para a letra, fazendo com que a variedade de tons se tornasse parte adicional e não vital das canções. Tarja, por sua vez, encaixava-se bem nesse gênero, mas é talvez a sua performance mais fraca. Na canção Wanderlust, ela soava como uma superstar, ao passo que parecia dificuldade para manter o tom em Nemo.

    Tanto Tarja como Anette são especialistas: dê-lhes um estilo em que elas se encaixam e elas vão acabar com todo mundo se for uma questão de competição. Mas, como Sam Burgess, coloque-as num formato que elas conhecem menos e elas mostrarão ter dificuldades bem rápido.

    Floor, no entanto, não sofre com nenhum desdes problemas. Ela é perfeitamente capaz de fazer um gancho que soe mais pop, o vozerio poderoso do metal e o rico estilo operático na mesma música e de maneira brilhante, como mostrou no mais recente álbum da banda. Não é como se ela dominasse tudo e fosse a melhor vocalista, como parece. Na verdade, é algo simples: a Floor se destaca em todos os estilos musicais que precisa atuar.

    A melhor parte é que ainda há mais: Floor não é o único “plus” com o qual o Nightwish agora conta. Eles também contam com Kai Hahto na bateria e ele é um músico fantástico. A prova disso é que ele ensinou o antigo baterista, Jukka Nevalainen a tocar bateria no estilo jazz para a música Slow, Love, Slow durante as gravações do disco Imaginaerum. Ah, sim, e ele é o produtos da banda Wintersun, que costumam ser mestres no que fazem (ainda que lancem albuns na mesma frequência com que o Axl Rose consegue começar um show na hora certa). O Nightwish agora também conta com um músico folk Troy Donockley (que é um tremendo de um cantor, também), da Inglaterra, o que os permite acrescentar algumas músicas ao seu setlist e deixar de lado o playback das uileann pipes, as gaitas de fole típicas da Irlanda. Acrescente a essa mistura o talento vocal de Marco e temos uma variedade artística muito maior do que a banda jamais teve. Além disso, eles se tornaram uma banda grande o suficiente pra assumir comando total de suas finanças e, assim, produzir o que quiserem como desejarem.

    Isso faz com que o Nightwish consiga ser mais flexível do que nunca. Se Tuomas quiser compor um álbum de 40 minutos com dez faixas repleto de hits sem se aventurar muito e com refrões simples, ele pode fazê-lo sem problema. Se ele quiser compor um álbum ridiculamente bombástico, com músicas de 24 minutos, gaitas de fole, piano, arranjos de orquesta, canto operático, vocais pop, belíssimos ganchos vocais, sons de macacos e de baleias, além da participação do próprio Richard Dawkins… bom, ele também pode fazer isso sem problema.

    É claro que não é possível dizer que Endless Forms Most Beautiful é, sem sombra de dúvidas, o melhor disco da banda simplesmente porque não é. É muito bom, mas eles já produziram álbuns melhores e com duas antigas vocalistas. As partes negativas podem ser vistas em uma ou duas coisas do disco (o refrão da faixa que dá nome ao disco é bem forçada) ou até mesmo nos deslizes quanto à qualidade das canções (a música Edema Ruh, por exemplo, que é um pouco piegas, sem falar que é inspirada em um livro que pode ser descrito de forma singela como um monte de excrementos saídos direto do reto arreganhado da bunda da literatura fantástica e que é tão infancil que fariam Harry Potter parecer Game of Thrones).

    Nada disso, no entanto, é um indício de como será o futuro do Nightwish. Os períodos de transição são, no mínimo, difíceis e, ainda que a canção The Poet and The Pendulum seja uma das melhores da banda, o disco Dark Passion Play, o primeiro do Nightwish com Anette nos vocais, é um de seus mais fracos lançamentos. Não é ruim, mas não é tão bom como alguns dos clássicos da banda. Já Endless Forms Most Beautiful é só um pouco pior do que a média, o que, ainda assim, se resume a alguns poucos deslizes. Quando se pensa no futuro, no entanto, isto pode ser algo bastante encorajador, pois o próximo disco pode ser ainda melhor.

    Ninguém está impedindo o Nightwish de fazer o que realmente quer e, aparentemente, tem o bom senso de não tomar más decisões musicais (veja aqui Tuomas falando sobre o seu projeto musical de musicalidade duvidosa sobre Scrooge McDuck lançado com seu próprio nome – FAO Metallica). Eles tem a melhor e mais versátil vocalista possível, são capazes de tocar ao vivo qualquer música que já compuseram e conseguiram passar por todas as mudanças na formação sem perder seus mais fiéis fãs. Pelo jeito, aquele ditado “o que não mata nos fortalece” tem um quê de verdade.