Cerca de uma década atrás, a atual vocalista do Nightwish, Floor Jansen, e o principal membro do Pagan’s Mind, Jorn Viggo Lofstad, se conheceram em um festival e descobriram uma forte atração musical entre eles. As músicas foram escritas, mas devido aos cronogramas de suas bandas e outros compromissos levaram quase 10 anos antes que esse projeto virasse uma realidade. Durante a pausa de 2017 do Nightwish, Floor aproveitou a oportunidade de contatar Jorn novamente e, felizmente para nós, eles acharam tempo de polir as músicas que eles escreveram muitos anos atrás e finalmente as gravaram. Bom pra gente? Definitivamente foi ótimo pra gente, já que todas as 11 canções, sem exceções, são de alta qualidade.
Não espere uma cópia do Nightwish. Northward está indo na própria direção de hard rock de uma forma energética e muito acessível, toneladas de melodias e a Floor sendo excepcional em um som que contém toques modernos e clássicos do rock n’ roll. Jorn é um cara com um som único na guitarra como você mesmo pode ouvir nesse álbum, onde ambos os músicos tiveram assistência do baixista Morty Black (TNT), o baterista do Pagan’s Mind, Stian Kristoffersen, enquanto tiveram o álbum mixado por Jacob Hansen (Volbeat).
Floor Jansen tem um enorme alcance vocal à seu uso, como ela tem provado repetidas vezes ao passar dos anos, mas no “Northward” ela parece ter incrementado ainda mais esse alcance. A música não é complicada de forma alguma. Northward se considera apenas como uma banda de Hard Rock. As canções que abrem o álbum “While Love Died” e “Get What You Give” possuem fatores de uma banda rock, fatores que logo se provará capaz de dar espaço para canções mais sofisticadas como a enigmática “Bride Passion” e “Paragon”, que tem uma vibe sonhadora que se desenvolve para um rock robusto. Para mim, a essência de Northward está nas excelentes canções “Timebomb” e “Big Boy” junto das primeiras duas músicas onde todos os elementos que a banda tem à oferecer aparecem com muito destaque. Ouvindo essas músicas incríveis me deixa pensando o que teria acontecido para Floor e Jorn se eles tivessem tido o tempo para lançar esse trabalho 10 anos atrás.
Northward provavelmente seria tão popular quanto o Nightwish é nos dias de hoje. Vamos torcer para que essa dupla ache mais tempo para continuar o Northward com todo o potencial que eu acredito ter. Um ótimo CD com nenhuma música sem-sentido.
O lançamento está marcado para o dia 19 de outubro, sendo assim, Floor Jansen e Jorn Viggo Lofstad decidiram lançar um vídeo para cada dia de contagem regressiva, falando um pouco sobre cada uma das faixas.
A publicação será atualizada diariamente, conforme os lançamentos. Voltem sempre, bjs.
Track #1: While Love Died
“Jorn: Olá e bem vindo ao primeiro dia da contagem regressiva do projeto ‘Northward’ onde todos os dias nós lançaremos um video curto sobre as canções do álbum que está por vir!
Jorn: A primeira música que nós iremos falar é a ‘While Love Died’. É uma música bem hard rock ‘n roll, e logo de cara você vai perceber que não é nada parecido com o Nightwish nem o Pagan’s Mind. Talvez você possa perceber algumas influêcias de algumas bandas aqui.
Floor: Essa é a música de abertura do álbum. É um álbum bem diverso, mas nós sentimos que essa é uma boa música para apresentar como o álbum irá soar. Nós fizemos um clipe dessa música, então provavelmente você já ouviu. As letras de fato têm um toque pessoal, mas isso foi um toque pessoal de 10 anos atrás. A letra, e claro, é para a sua própria interpretação e nós esperamos que você goste da música!“
Track #2: Get What You Give
Floor: Olá e bem vindos, novamente, ao segundo dia da contagem regressiva pro lançamento do Northward, hoje nós falaremos sobre a segunda canção, Get What You Give.
Jorn: Essa é uma das minhas preferidas no álbum e ela ficou melhor do que nós imaginávamos, e agora serve como a segunda faixa do álbum. Essa também é uma canção de heavy rock, uma guitarra bem fluída e com muitas coisas legais rolando na música.
Floor: Sim, essa é definitivamente uma das minhas favoritas, tem um pouquinho da vibe de Skunk Anansie, que é uma das minhas bandas favoritas, e é totalmente inspirada pelos vocais da Skin. Sobre a letra, ahm, tudo tem ciclo completo as vezes, então realmente você colhe o que você planta (Get What You Give). Quando eu escrevi a letra, haviam muitos cenários em que isto estava acontecendo, onde eu me sentia insegura no começo da situação e depois eu percebia que você colhe o que você planta: se você foi ruim comigo, eu serei ruim com você. Mas no final das contas, as coisas ficam melhor. Você colhe o que você planta, então tome cuidado com isso!
Track #3: Storm In A Glass
“Floor: Sim, nós estamos de volta para o terceiro dia da contagem regressiva para o lançamento do álbum do nosso projeto Northward, e vamos falar sobre Storm in a Glass.
Jorn: Essa música é mais acelerada, mais pop rock, mais alto astral, é bem focada em melodias, e é bem comercial. Há muitos backing vocals em toda a música.
Floor: Sim, foi legal poder fazer isso, e é a música favorita da minha filha, é algo legal de mencionar sobre essa música! Sobre as letras, bem, algumas coisas pequenas podem ser transformadas em algo enorme, e podem parecer ser coisas muito importantes na vida; mas com uma boa reflexão, você percebe que tudo isso pode ser uma… Storm In A Glass.
Track #4: Drifting Islands (feat Irene Jansen)
Floor: Estamos de volta para o quarto dia da contagem regressiva do lançamento do álbum Northward, e hoje estaremos falando sobre a canção Drifting Islands, que é um dueto com a minha irmã Irene, o que é ótimo, porque isso esteve como meta pessoal minha desde sempre, e nós tivemos muitos muitos pedidos ao passar dos anos, então nós finalmente fizemos.
Jorn: E deu que foi super legal!
Floor: Eu concordo, eu estou muito feliz com isso, nossas vozes realmente combinam, mas 10 anos atrás, a idéia era fazer o dueto com o cantor de Alter Bridge, Myles Kennedy. Eu o conheci, perguntei se ele gostaria de fazer o dueto, e ele até falou que sim, mas muitas coisas aconteceram nessa gravadora, obviamente, então o dueto nunca chegou a acontecer. Ao invés disso eu realizei um sonho de gravar com a minha irmã, o que é uma boa história!
Jorn: Eu me lembro quando escrevemos essa canção e eu te apresentei uma banda norueguesa chamada Animal Alpha, uma banda norueguesa muito boa e eu me lembro que você gostou muito dela, e eu me lembro que o refrão foi criado depois que você escutou a banda. O refrão é bem agressivo, versos e pontes são mais práticos e moderados.
Floor: A letra é bem literal, ilhas a deriva (Drifting Islands) que ficam cada vez mais distantes uma da outra; você pode tentar se comunicar, mas vocês realmente não se entendem. Isso pode ser aplicado a qualquer relacionamento, felizmente na minha família não é o caso! Não interprete tão literalmente! Minha irmã e eu ainda somos muito próximas, mas é sobre isso que se trata essa canção.
Track #5: Paragon
Floor: Bem vindos ao quinto dia da nossa contagem regressiva para o lançamento do álbum Northward. Hoje falaremos sobre a quinta canção do álbum chamada “Paragon”.
Jorn: Eu acho que o álbum em geral tem uma vibe bem rock ‘n’ roll, enquanto essa é uma canção épica. Há muitos elementos melódicos, enquanto trabalhávamos nela, nós a chamávamos “A música de sete minutos“, então aí você consegue ver algumas referências de uma música progressiva. Para mim o refrão dessa música é super poderoso, e me lembra as canções de heavy metal que a Alanis Morissette nunca fez.
Floor: Para mim, essa música se tornou uma das minhas favoritas…
Jorn: Com os acordes menores.
Floor: Sim, o meio acorde é bem épico e então boom, quando o último refrão chega, me dá arrepios. Eu não sei se você pode dizer isso sobre a própria música, mas…
Jorn: Nós acabamos de dizer! [Risos]
Floor: Nós acabamos de dizer, a música de fato dá aquela sensação prazerosa, que eu espero que você também sinta. Sobre a letra, “Paragon” é o ultimato das coisas que você pode alcançar; quando eu ouço eu me pergunto quando meu Paragon acontecerá. Perfeição é bom, ao menos que seja em excesso. Isso vale para muitas pessoas que jogam suas vidas fora [tentando alcançar a perfeição], e “bom” é definitivamente bom para mim. Quando acontecerá meu “Paragon”? Provavelmente nunca. É isso aí!
Track #6: Let Me Out
Floor: Olá e bem vindos de volta ao sexto dia da contagem regressiva para o lançamento do Álbum Northward. Essa canção é chamada Let Me Out. Um detalhe engraçado é que, diretamente, essa música foi inicialmente co-escrita com Andre Borgman, que tocou bateria no After Forever. Nós começamos a trabalhar um pouco juntos, infelizmente não continuamos trabalhando, mas ele tinha ótimas idéias, e muitas delas acabaram entrando nessa canção. Nós, na verdade, só adicionamos e alteramos, especialmente o tempo da musica, mas há muito dele nessa música.
Jorn: Eu fico muito feliz com o solo de guitarra dessa música, é bem clássico e…
Floor: Você foi ótimo.
Jorn: Obrigado [risos], e sim, essa foi uma das músicas que nós tivemos que trabalhar para trazer o sentimento, e que ficou muito boa no final das contas.
Floor: Sim, sim, praticamente isso, foi legal que perto do final, eu comecei brincar um pouco com adlibs (improvisação), uma improvisação bem solta, gritando aquela frase ‘Let me Out’. Eu acho que a letra fala por si só. Essa é a música para se escutar, para o final, desde o inicio, bem alta.
Track #7: Big Boy
Floor: Já é o sétimo dia, e também é a sétima canção que falaremos hoje na contagem regressiva para o lançamento do álbum Northward. Wssa canção é chamada “Big Boy”.
Jorn: Sim, e essa é uma canção meio experimental, hard-rock, eu diria. Enquanto nós trabalhávamos nela, nós à chamávamos de “Disco Chugging”, “Chugging”. É tipo quando o guitarrista dá palhetada fortes pra baixo, sabe? E tem muitas influências de discoteca com a batida da música, então nós meio que experimentamos com esses fatores.
Floor: É a faixa um pouco estranha do álbum; é uma versão diferente do que já tínhamos, e foi um pouco difícil fazer a musica soar certa. Se essa música não é criada com o sentimento certo, seria muito muito estranha. Mas nós conseguimos! Sobre as letras, eu as vezes fiquei um pouco frustrada. Há 10 anos, em ser uma mulher num ambiente dominado por homens, toda aquela comoção do #MeToo (onde artistas de Hollywood denunciavam assédios morais e sexuais partidos por homens) tornou tudo mais atual, apesar de eu, felizmente, não ser uma das que precise usar essa hashtag. Mesmo assim, essa situação igualmente já me trouxe frustracão, e me levou a escrever a letra de Big Boy. Eu, entretanto, sinto e penso que 10 anos depois as coisas de fato melhoraram. Há esperança!
Track #8: Timebomb
Floor: Bem vindo de volta ao dia 9 (que na verdade é 8) da contagem regressiva do lançamento do álbum Northward, que será lançado em poucos dias agora! Essa canção é chamada “Timebomb”, e foi uma das primeiras que nós escrevemos, e também um das únicas que nós fizemos uma demo inicial.
Jorn: Sim, essa é a única canção do álbum que tem algumas camadas de teclado, tocadas por Uonni, o tecladista da minha banda Pagan’s Mind. Essa canção é bem melódica, um refrão agressivo e cheio de energia, que ficou super legal, eu acho. Eu preciso dizer, no final da música eu planejei alguns solos de guitarra, para poder me exibir, e a Floor estava no estúdio e eu escutei uma improvisação em notas altas incríveis, e no final eu disse ‘Okay, nós faremos do seu jeito’, e foi assim que aconteceu!
Floor: A batalha de vocais e guitarras [risos]. Sobre as letras, ‘Timebomb’ literalmente você ouve o barulho do relógio sem parar dentro de você, você só quer terminar de fazer algo, você só quer ir para o próximo dia, a paciência de sentar e esperar por algo. Pessoalmente eu não sou tão boa com a minha paciência, meus níveis de paciência são bem conhecidos àqueles que convivem comigo, eu não tenho nenhum, e essa canção é sobre isso.
Track #9: Bridle Passion
Floor: Bem vindos de volta. Nono dia, nona música. Nós temos 11 músicas, isso significa que o álbum Northward está quase lançado. Nós falaremos sobre Briddle Passion.
Jorn: Sim, essa é uma canção pé-no-chão, calma e acústica, com apenas um violão e voz. Eu me lembro que essa foi a primeira música que nós escrevemos juntos, na primeira sessão que tivemos para ver se tínhamos aquela química de composição, e essa música foi uma das primeiras coisas que criamos.
Floor: Sim, ainda estou super feliz com ela, porque é tão simples e frágil. E sobre as letras, é sobre a comprensão e restrição das emoções, que simplesmente é impossível de manter por muito tempo. Você simplesmente não consegue, você tem que sentir o que você sente. Eu acho que é uma boa pausa no álbum, depois das guitarras pesadas. E é, saiu simples e frágil.
Track #10: I Need
Floor: Sim, dia 10 da contagem regressiva para o lançamento do álbum, significa que estamos quase lá, o álbum Northward está quase disponível pra você escutar, hoje nós falaremos sobre a canção “I Need”.
Jorn: Um up-tempo (música rápida) na sua cara, devassa e hard rock, bem groovy, baterias e riffs muito legais, bem rock n’ roll.
Floor: Essa é uma das canções que reescrevemos um pouco, comparada ao que era 10 anos atrás. Mudamos o refrão completamente e alteramos alguns versos. Também é uma canção que nós tivemos que ter o sentimento certo para funcionar e agora é muito boa, é bem “na sua cara”. As letras você precisa encarar de uma forma diferente, essa é uma canção de rock ‘n’ roll vulgar, então não iremos falar sobre a vida e emoções, é bem explosiva, e eu preciso… “I need” todos os tipos de coisas! [Risos]
Track #11: Northwards
Floor: Décimo primeiro dia, nós conseguimos falar de todas as músicas durante a contagem regressiva para o lançamento, agora é o momento do álbum Northward! Na verdade, agora falaremos sobre a música NORTHWARD.
Jorn: Essa é uma música épica e longa com muitos elementos músicas, essa música é…. é difícil definir o que essa música é, mas há elementos muito legais nessa canção. Eu amo a ponte nessa música, nós temos tudo o que tínhamos e logo depois você tem esse refrão singelo e bonito. Eu acho que foi um ótimo jeito de encerrar o álbum com essa música.
Floor: Sim, definitivamente. Uma música bem longa, mas muito boa. Há muitas partes experimentais. As letras foram completamente reescritas em comparação ao que eram 10 anos atrás, e foi batizada de “Northward” (Direção ao Norte). Essa parte do nome é sobre como eu fui para o Norte de onde eu nasci, da Holanda para a Escandinávia, esse projeto foi escrito na Escandinávia, eu canto numa banda Escandinava, casei com um homem Escandinavo… Essas coisas são coincidências, mas mesmo assim aconteceu… Você é um homem escandinavo!
Jorn: Sim! [Risos]
Floor: Aqui no norte… Essa música é sobre a minha jornada em Direção ao Norte. Essa foi a nossa introdução para o álbum, agora você finalmente vai poder formar a sua opinião, ouvir as músicas e poder curtir o álbum. Mais uma vez, não espere que soe parecido com Pagan’s Mind ou Nightwish ou qualquer coisa que já tenhamos feito antes. Nos diga o que você achou! Obrigado por ter nos acompanhado por esses dias e aproveite o álbum!
Tracklist:
01. While Love Died
02. Get What You Give
03. Storm In A Glass
04. Drifting Islands
05. Paragon
06. Let Me Out
07. Big Boy
08. Timebomb
09. Bridle Passion
10. I Need
11. Northward
Como o Nightwish iluminou o Festival Bloodstock de forma espetacular
O Nightwish trouxe sua turnê “Decades” para o festival Bloodstock e tinham alguns truques pirotécnicos escondidos na manga.
Jake Owens
Logo após Judas Priest e Gojira, a atração final do festival Bloodstock 2018 é o poderoso Nightwish. Tocar onde o a definição do Heavy Metal despertou e trazer uma das apresentações mais poderosas que o festival já viu até hoje poderia ser uma perspectiva assustadora, mas os Finlandeses sinfônicos são feitos de material mais resistente que isso e eles sabem o peso do show que estão carregando por aí.
Nesta Turnê Decades (após o lançamento de sua recente coletânea), o Nightwish está aqui para mostrar que como eles conseguiram se tornar uma das maiores bandas no metal atual. Eles são uma banda que lota arenas agora, tocando para plateias enormes, mas eles não se comovem, têm uma produção impecável e polida, e a performance de cada um dos seis membros é desafiante e poderosa.
Jake Owens
A vocalista Floor Jansen é um poder no vocal, sua voz consegue atingir notas que muitos sequer sonham, tudo com intensidade própria e (mais importante ainda) com paixão. O Nightwish tem viajado com esse show pelos festivais de verão, então eles são uma maquina impecável e polida, mas a animação nos rostos dos integrantes da banda faz parecer com que seja sua primeira vez no palco, mais uma vez.
Enquanto a música e as performances são cheias de energia e emoção, a produção em si é a estrela do show. Havia comentários durante todo o fim de semana sobre que tipo de palco o NIghtwish traria e o que eles fizeram fez parecer que o palco do Judas Priest fosse brincadeira de criança. Uma enorme tela cobre todo a parede de fundo, com telas menores preenchendo qualquer lacuna do palco, mostrando visuais primitivos de fauna e flora, incluindo um alongado segmento da lua cheia do lobo, tirado de uma estampa de camiseta que todos na plateia já devem ter tido em alguma momento.
Eles têm uma pirotecnia invejável e surpreendente, também. Diferente das barreiras de fogo e fumaça da banda Gojira, o Nightwish usou seus materiais separados mas quando eles atiravam fogo, eles atiravam MESMO, criando uma parede mutável de chamas em volta da banda e atiradores de fogo para a platéia.
Jake Owens
Claro, não está tão cheio quanto as duas outras atrações finais dos outros dias, mas é domingo e a chuva intermitente do final de semana não ajudou. Enquanto Floor tenta fazer a platéia do Bloodstock dançar ao som de “I Want My Tears Back”, há muitas pernas relutantes em se mexer mas os fãs dedicados da frente obedecem felizes.
Claro, Nemo ainda é a música que tem a melhor recepção, mas o cenário épico criado para os capítulos 2 e 3 de The greatest show on Earth eleva a plateia aos céus, completa como início catártico dos versos ‘We Were Here!”.
Pode não ter sido a atração mais pesada que tocou no final de semana, ou aquela sobre a qual todos vão falar, mas é significante a forma como é sabido que o Nightwish está agora em um outro avião pensando em como vão experimentar e expandir com seu catálogo em ambos aspectos, musical e visual. Sem dúvida, na próxima vez que eles forem atração final aqui (e eles definitivamente serão), será ainda maior mais incrível e terá mais fogo do que uma festa ao redor da casa do Smaug.
Setlist:
1. End Of All Hope
2. Wish I Had an Angel
3. 10th Man Down
4. Come Cover Me
5. Gethsemane
6. Élan
7. Sacrament Of Wilderness
8. Amaranth
9. I Want My Tears Back
10. Devil & The Deep Dark Ocean
11. Nemo
12. Slaying The Dreamer
13. The Greatest Show On Earth (Chapters II and III)
14. Ghost Love Score
Em junho, Floor Jansen compareceu ao programa de TV holandês, o “M”.
A tradução você encontra a seguir e, novamente, obrigada Guilherme Azevedo – no aguardo do seu currículo –
Ω
É um segredo bem guardado que nem Anouk, Ilse de Lange ou Caro Emerald são os cantores holandeses mais bem-sucedidos internacionalmente. Não, é Floor Jansen que merece esse título. Ela recentemente ganhou o Buma Rocks Export Award 2018. Ela faz turnês por todo o mundo como a vocalista da banda de metal finlandesa Nightwish.
Mas nos Países Baixos nós devemos admitir, com vergonha, que nós não a conhecemos bem.
Dit is ‘M! Eu li uma entrevista sua no jornal semana passada, e o que me passou na cabeça foi “Isso é enorme!”, e nós pudemos ver quão grande é agora, (o sucesso de Floor Jansen com o Nightwish), mas nós sabemos tão pouco sobre esse sucesso, e você parecia estar meio impaciente na entrevista, você pensou “Quer saber? A culpa é de vocês não saberem, porque é realmente enorme”. Como você explica isso, ser tão pouco comentado aqui enquanto você é extremamente bem-sucedida internacionalmente? Floor Jansen: Bem, Os Países Baixos é um país pequeno no final das contas, mas ainda sim tem uma ótima indústria musical, há muitos bons artistas aqui e também há muitos artistas holandeses internacionais. Entretanto, há uma enorme diferença na quantidade de atenção e reconhecimento que cada gênero musical recebe da mídia. Esse é o porque uma banda como Nightwish é conhecida no underground por muitos holandeses, porquê nós nos apresentamos aqui também.
Dit is ‘M! Mas não é muito exposta na TV ou no Rádio. Porquê? É simplesmente uma questão do “nosso” gosto? Acontece de nós simplesmente tocarmos outro tipo de música? Floor Jansen: Eu espero que esse seja o motivo, porquê ao menos a música que tem a possibilidade de ser tocada. No final das contas, eu estou sentada aqui como uma embaixadora da música, não porquê eu acredito que a minha banda precise ser tocada nas rádios, de jeito nenhum, apenas ouça a banda para conhecer e aí você decide se gosta ou não. Mas se você nunca tiver a oportunidade de escutá-la… e também porquê é chamada de “Metal”.
Dit is ‘M! e as pessoas pensam “Ah não, metal”. Floor Jansen: Sim, “metal não é aquela coisa com guitarras pesadas e uns homens cabeludos berrando?” Há muito preconceito.
Dit is ‘M! “Ou uma mulher cabeluda berrando” Floor Jansen: Sim, esses são os piores, isso eu posso te dizer.
Dit is ‘M! Há muitas mulheres sendo a vocalista de bandas desse tipo. Floor Jansen:Sim, olhe para o Within Temptation.
Dit is ‘M! Que, como você, são bem-sucedidas nas suas carreiras dentro do metal. Quando você pensou “Metal, ah essa é a minha praia”? Floor Jansen: Quando eu era uma adolescente, eu estou dentro desse meio há mais de 20 anos!
Dit is ‘M! E você era a única da sua classe que gostava desse tipo de música? Talvez essa seja uma parte do problema? Floor Jansen:Sim, eu era da Rock Academy e era bem específica em alguns gêneros, mas eu era uma das poucas metaleiras. Mas metal é um tipo…. É um enorme gênero musical e há muitos subgêneros, então há muitas bandas que nunca estarão nas rádios, o que é legal, porquê o metal quer continuar nesse “nincho/panelinha/clube do bolinha”, Mas há muitas bandas como o Within Temptation e o Nightwish, que faz músicas que eu acredito que muitas pessoas iriam gostar se eles tivessem contato com elas. Então é isso.
Dit is ‘M! Então, essa é uma banda finlandesa. Como que eles acabaram com você? Floor Jansen: Em 2003 eu fiz uma turnê européia com eles com a minha banda holandesa, After Forever, na qual eu fiz parte por 12 anos. Nós nos conhecemos nesse período, e há alguns anos atrás algumas coisas deram errado com a antiga vocalista deles, e foi quando eles me ligaram me perguntando se eu poderia me encontrar com eles, imediatamente.
Dit is ‘M! E você conhecia a banda, e quão grande eles eram, e era algo importante, então você imediatamente disse sim. Você conhecia o repertório deles? Porque é algo parecido com os Rolling Stones falando “O Mick não está se sentindo muito bem, você quer cantar as partes dele?” Você conhecia as canções deles? Floor Jansen:Sim, exceto pelo álbum mais recente na época.
Dit is ‘M! Ah, então estava tudo bem! Floor Jansen: Não, eu nunca tinha ouvido o álbum mais recente, e eu tive que aprender muitas músicas novas, mas tudo deu certo no final. Onde há um desejo…
Dit is ‘M! E agora você ganhou a Buma Rocks Export Awards, isso seria um sinal de reconhecimento, depois de tudo? Floor Jansen: Sim, é incrível. Especialmente da forma com que eles me deram o prêmio, havia um grande foco em trazer música ao vivo, nos Países Baixos e além. Nós temos muitas bandas holandesas a oferecer, inclusive no metal. É engraçado dizer que todo o mundo conhece nosso país por nossa cultura no Metal, enquanto dentro dos Países Baixos é tipo “Ah, sério? Isso é popular? E quem é Floor Jansen?” Então eu pensei que foi um ótimo sinal de reconhecimento e uma grande honra, e foi lindo como eles me deram o prêmio… Haviam muitas pessoas presentes que realmente me conheciam e estavam muito orgulhosas de mim. Há muitas pessoas que vêm me acompanhando e me apoiando há muitos anos, e isso é como se fosse um abraço quente.
Dit is ‘M! E você merece! Obrigada. Floor Jansen: Obrigada.
Dit is ‘M! Nightwish irá tocar no Ziggo Dome em Amsterdam no dia 26 de Novembro e há poucos ingressos sobrando, vá assisti-los!
Hayley Leggs entrevistou Floor Jansen durante o HellFest, e a tradução você encontra a seguir.
E, novamente, obrigada, Gui ♥
Hayley Leggs: Olá, eu sou a Hayley Leggs e eu estou aqui com Floor, do Nightwish, a única mulher que eu conheci que é tão alta quanto eu. Nós podemos conversar na mesma altura, eu não preciso foder com a minha coluna.
Floor Jansen: Você pode pegar minha calça jeans… [risos]
Hayley Leggs: Mulheres, mulheres, nós gostamos de falar sobre roupas. Floor Jansen: E sapatos!
Hayley Leggs: De qualquer forma, você já ouviu alguma música para o novo álbum? Floor Jansen: Não, não, quero dizer, nós estamos no meio dessa turnê mundial, nossa atenção está aqui, na Decades World Tour, mas quando ele [Tuomas] chega em casa, na privacidade do mundo de compor dele, ele trabalha em algumas músicas e claro, eu estive curiosa e perguntando, mas nos momentos certos. Esse é o direito dele, claro.
Hayley Leggs: Ele prefere tudo sozinho ou você acha que ele vai abrir espaço para contribuições de outros membros da banda? Floor Jansen: Até um certo ponto, sim. Assim que você começa a tocar as músicas juntos, as idéias automaticamente surgem, e isso já aconteceu com o “Endless Forms Most Beautiful”, mas uma canção própria não acontece muito frequentemente. Eu sei que o Marco, nosso baixista, já escreveu no passado, e tenho certeza que ele irá novamente se encaixar. Eu poderia fazer o mesmo se eu tivesse algo como “Tuomas, você precisa ouvir isso, eu acho que encaixaria”, mas com alguém tão bom quanto ele… Para mim, ser capaz de cantar o que ele tem em mente e interpretar, há muita energia criativa usada para isso, e desse jeito funciona.
Hayley Leggs: Nas suas bandas antigas, você era a principal compositora, então deve ser um pouco estranho cantar algo que você… obviamente, as canções que já existiam antes, cantar as canções de outra pessoa. Você tem como algo como um desejo intenso de entrar no meio e se envolver com todo o processo? Floor Jansen: Estranhamente, não. Você poderia dizer que depois de tantos anos tendo algo para dizer, mais esforço criativo nesse sentido, eu não me sinto assim, apenas porque as coisas são muito boas. Então, como eu disse, a perspectiva criativa que eu tenho, no momento, é o suficiente, e temos o sentimento de que estamos criando as músicas como uma banda, mesmo que tudo originalmente venha da mente dele. Assim que começamos a tocar, não é mais uma “música do Tuomas Holopainen”, mas uma “música do Nightwish”. E ter a liberdade ali, é muito bom para mim.
Hayley Leggs: Bem, você era uma fã da banda antes de virar um membro. Floor Jansen: Sim, eu era.
Hayley Leggs: Então isso deve ser uma grande honra, só de poder cantar as músicas. Floor Jansen: Sim! E agora também, com o Decades cantando músicas antigas e indo para o início da banda, é muito interessante pensar onde cada um estava naquele momento, e se ver agora.
Hayley Leggs: Eu imagino como deve ter sido o sentimento quando você recebeu aquela ligação deles pedindo para que você se juntasse a banda. Deve ter sido incrível. Floor Jansen: Sim, sim.
Hayley Leggs: Então, recentemente você saiu de férias porque, parabéns, você teve um bebê! Floor Jansen: Sim, obrigada! Apesar de que nós não tiramos férias porque eu tive um bebê, nós tiramos férias e eu pensei que esse seria o momento certo para ter um bebê. Na minha área de trabalho, precisamos ter um planejamento detalhado!
Hayley Leggs: Não é o tipo de trabalho que você simplesmente pode tirar uma licença maternidade. Se você tiver shows marcados por um ano antecipadamente, você não pode falar “eu não estarei aqui”. Floor Jansen: Não, não. Há tantas pessoas dependendo de você, então claro, nós planejamos antecipadamente muitos anos, então quando eu soube que essa possibilidade estava chegando, apesar de não ser um fato irrefutável de que tudo daria certo, mas felizmente no final das contas deu certo. A senhorita tem 15 meses agora!
Hayley Leggs: Estava tudo destinado! Então, essa é a sua primeira filha. E como que as coisas funcionam agora? Seu marido (Hannes Van Dahl) cuida da bebê quando você está em turnê? Floor Jansen: Bem, ele toca no Sabaton, então depende muito do nosso planejamento quem cuida dela. Ela estava conosco por sete semanas nos Estados Unidos, deixar ela por tanto tempo…
Hayley Leggs: Sim, porque você pode levar ela com você! Floor Jansen: Sim, nós podemos, o que é um luxo inigualável. E foi muito empolgante descobrir se daria certo ou não, foi muito muito bom. Funciona por finais de semana, ou por período – tudo é planejado antecipadamente para nós podermos nos organizar quem estará onde, e também têm os avós. Nos EUA nós temos um amigo que é a babá, e isso foi perfeito! Há muitos jeitos para organizar as coisas.
Hayley Leggs: Ela está praticamente destinada a trabalhar com música! Floor Jansen: Quem sabe, eu tento!
Hayley Leggs: Quem sabe uma bibliotecária! Floor Jansen: Talvez ela odeie música e daqui 20 anos ela fale “eu vou ficar na Suécia e eu não quero ouvir metal nunca!”
Hayley Leggs: Se rebelando contra as raízes! Então, qual foi seu momento favorito na sua jornada até agora desde que você se juntou ao Nightwish? Floor Jansen: Bem, há muitos! Teve muitos momentos ótimos, eu posso falar sobre os Grandes Shows que quase são os mais óbvios, mas também podem ser coisas pequenas, como ontem a tarde, fomos jantar juntos e é tão legal quando todos estão felizes em se ver e falar “Onde estamos hoje?” “Nós estamos na França” “Ótimo!”. A sensação de liberdade e de que estamos fazendo a coisa certa.
Hayley Leggs: É como se fosse uma família, certo? Uma família do metal. Você sempre vê as mesmas pessoas e quando você vem no festival… Floor Jansen: Sim, isso também! Mas quero dizer, só nós, como uma banda, e a equipe, de sair juntos e sim, passar um tempo um com o outro porquê nós queremos. É muito bom. E depois vir aqui [Hellfest] é tipo “oh, você, e você e você”. É legal, e eu tenho feito isso por 20 anos, então eu reconheço muitas pessoas, é realmente como encontrar a família.
Hayley Leggs: Então, nós acabamos de entrevistar Michael Amott do Arch Enemy e eu disse a ele que você seria a próxima, e ele disse “pergunte sobre o Arch Enemy!” Floor Jansen: [Risos]
Hayley Leggs: [Risos] Então sim, fale sobre o Arch Enemy. Floor Jansen: Nós nos divertimos muito com eles, eu sou uma fã há muitos anos, então para mim foi ótimo tê-los conosco e ver outra vocalista lá, arrasando toda noite, é muito inspirador e muito divertido. Uma das primeiras coisas que eu fiz foi sair pra almoçar com alguns membros!
HL: Sim. Você se sente como uma fonte de inspiração, uma modelo, para as suas fãs mulheres? Floor Jansen: Bem, não, mas eu aparentemente me tornei isso.
Hayley Leggs: [risos] Sem seu consentimento! Floor Jansen: Sim, você não para pra pensar nisso, e é algo que cresce gradualmente, não é algo que você simplesmente diz “sim eu sou uma modelo, aqui estou eu”. Mas é algo lisonjeador, perceber que com o passar do tempo as pessoas têm me olhado e pensado “ah seria legal se eu fizesse isso ou aquilo”. É uma honra.
Hayley Leggs: Temos que encerrar agora, mas foi um prazer conversar com você. Floor Jansen: Com você também!
Floor Jansen é a nossa maior cantora pop internacional. Como é que a Holanda não a conhece?
Floor Jansen, a maior vocalista que a Holanda tem para oferecer ao mundo, mora numa pequena e bela vila, que certamente deve ser uma das menores do mundo.
Essa vila de cartão postal fica no meio de florestas nebulosas, colinas verdes e um grande lado que, de acordo com o último senso, possui 233 habitantes. Certamente é o tipo de lugar onde você esperaria que a vocalista de uma banda como o NIghtwish vivesse. Ou, pelo menos, vagando por suas fantasias e sonhos do metal.
Mas Floor Jansen (Nascida em Goirle, 1981) já teve o suficiente desses clichés que a circundam em seu gênero musical: A orquestra prazerosa e as vezes o místico Hard Rock, que era também chamado de Gothic Metal anteriormente. Não tente começar uma entrevista com ela falando sobre essas florestas nebulosas e místicas senão você vai ver que não vai ter mais sobre o que conversar. “É certamente quieto aqui”– ela diz – com certo eufemismo (mais como um aviso ao entrevistador, eu presumo) mas há também a ferrovia próxima e na colina há condomínios.
Entretanto, ela concorda que é um tipo diferente de vida se comparado ao que ela era acostumada em sua cidade Natal. E ela fala disso desaprovando, de certa forma: “Claro que você possui lagos na Holanda, mas com certeza com alguns milhares de pessoas em volta de todos eles. E Jet skis cruzando a água!” Bem, sim, a Holanda…um selo postal com 17 milhões de pessoas. Parece haver algumas cicatrizes na sua relação com sua terra natal e ela não se importa de explicá-las. Ela fica até feliz e quer falar sobre elas.
UM SHOW HOLANDÊS DECENTE
Mas uma coisa de cada vez. Tais recursos que ela gosta na Costa Oeste da Suécia, onde ela vive com seu marido Sueco Hannes Van Dahl (baterista da banda de metal sueca Sabaton) e sua filha – hoje com um ano de idade – Freja. Floor se estabeleceu aqui pela proximidade ao aeroporto internacional de Goteborg. E sim, também por causa da quietude pura e da paz que há na área.
Com seus companheiros do Nightwish ela canta ao redor do mundo; da Escandinávia para toda a Europa. De Moscou e Pequim até São Paulo, no Brasil. E para você ter uma ideia de como a agenda da Floor é…ela acabou de retornar de uma turnê de 34 shows nos Estados Unidos.
No próximo sábado ela vai cantar novamente na Holanda, finalmente. Um show importante e parece que compensa um pouco, diz Jansen. “Eu tenho esperado por anos por um festival Holandês decente. É ótimo finalmente termos um e ainda melhor, ele será em Fortarock, em Nijmegen. Metaleiros de fato e a atmosfera do metal! Os caminhões da turnê cheios de fogos e artigos pirotécnicos, porque o Nightwish vai arrebentar com muita pirotecnia e músicas clássicas da banda. Eu estou nas nuvens e muito animada.”
BAIXA AVALIAÇÃO
Este é um dos grandes enigmas e quebra-cabeças da indústria musical holandesa. É um dos motivos que deixa os fãs com a pulga atrás da orelha. Por que será que um gênero que de certa forma começou na Holanda e conquistou o mundo, é tão subestimado em sua terra natal? Até mesmo hoje, as vocalistas femininas e bandas tem um importante papel na cena do metal feminino.
Obviamente conhecemos as pioneiras do metal sinfônico, tais como Within Temptation (Sharon den Adel), After Forever (Floor) e Epica (Simone Simons). Mas a atenção e a apreciação que elas têm em seu próprio país não se compara à total adoração que elas têm no México ou na Rússia. Lá, longe da escassa indústria musical holandesa e bloggers e seus palcos pops e do ramo dos festivais, a luz está acesa quando Floor Jansen entra em cena.
Aqui, o single Élan, muito tranquilo e simples de ouvir, jamais será tocado numa estação de rádio. Enquanto essa música é padrão nas playlists da Suécia e Finlândia.
MAIOR QUE ANOUK, CARO EMERALD e ISLE DELANGE
Através de linhas de vendas de álbuns e performances, percebe-se que Floor Jansen é de longe a maior estrela musical que nós temos na Holanda. Comparada às três mencionadas acima, mesmo com certa distância (o que não é inteiramente verdade se falarmos de vendas).
Por que eu nunca sou convidada por Matthijs Van Niewkerk no seu programa ‘DE Wereld Draait’? (Este é um dos maiores talk shows musicais. Sharon e Anneke já foram lá muitas vezes). E quando você ouve Nightwish na 3FM? Nunca!!! Sim, as vezes quando você ganha um prêmio por alguma coisa você tem que explicar o que você está fazendo, tudo do começo. (ela fala de forma muito amarga aqui). Você recebe perguntas do tipo: “Poderia explicar o que exatamente é a música no metal, por favor!” E depois disso eles ficam falando sobre estarem estupefatos com o fato de você ser tão famoso internacionalmente!!! Depois desse tipo de ocasião eu penso: Meu Deus, de novo não! Eu estou bastante de saco cheio com isso, hoje em dia.
De onde vem toda essa ignorância? Bem, isso é uma incógnita até hoje. Será que nós, Holandeses, não tão assim dessa música tão rica em fantasia e espiritualidade com guitarras de roque e alguns vocais de ópera combinado com música folk pesada? Eu não acho que seja uma questão de gosto. Floor pensa. Nós temos muitos fãs Holandeses também.
Quando nós finalmente tivemos a oportunidade de tocar no Heineken Music Hall , nós o esgotamos duas vezes em apenas alguns dias. Mas o interesse real vem da cena do metal Holandês em si. Além disso, nós não temos a atenção da mídia em si. E eu penso que nós podemos atrair muitos fãs através de nossa música. Não, na Holanda eles ficam falando das mesmas bandas de novo e de novo! Bandas tais como Krezip e Kane, por exemplo. Enquanto eles não possuem nenhum reconhecimento ou popularidade em outros países! (Você pode perceber que a Floor está for a do país há alguns anos, já que essas bandas foram desfeitas há mais ou menos 4 ou 6 anos, mas acho que ela desgosta dessas bandas, assim como eu)
FRUSTRAÇÃO
“Nunca me acostumei com isso”, diz Floor Jansen. “Quando fiz parte do After Forever naquela época e, depois, do Nightwish, eu ainda achava tudo encantador. “Estamos criando algo especial”, era o que eu pensava. É claro que mais pessoas precisam ouvir isto. Eles ainda percebem que isto ocorre no mundo novo. Mas aqueles anos incríveis já ficaram no passado. “Hoje, acho frustrante que ninguém queira mais ouvir nossos discos. É uma pena.” A questão toda gira em torno da mentalidade musicalmente limitada na Holanda. “Na Holanda, as pessoas pensam muito nos gêneros. Nossa música é classificada como ‘metal’ e esta é uma música de nicho. Quem é do nicho já conhece.”
Graças ao seu talento e destaque em bandas como After Forever e ReVamp, Floor Jansen é vista como um modelo de cantora no metal sifônico na Holanda. Com uma voz que alcança tanto notas operáticas, como as mais suaves, além das mais fortes, Floor fez com que até o metaleiro mais conservador tirasse o chapéu para seu talento. Quando o Nightwish enfrentou a saída da vocalista Anette Olzon, em 2012, que foi a sucessora de Tarja Turunen, Floor Jansen foi chamada aos quarenta e cinco do segundo tempo. “Foi uma mudança de ares muito repentina”, diz Floor Jansen. “Do nada, eu tive de me perguntar se eu conseguiria cantar com o Nightwish, pois havia um problema nisso. Perguntaram se eu conhecia as músicas e as letras, e eu disse: ‘Olha, não todas elas. Mas tudo bem. Vai dar tudo certo.’ “
PROBLEMAS PESSOAIS
Deu tudo certo no fim das contas. “No primeiro show, no dia 1 de Outubro de 2012, em Seattle, quando eu apareci no palco no lugar da Anette, havia um fã que disse querer seu dinheiro de volta, pois não havia pagado para ver Floor Jansen cantando. Depois disso, as vendas dos ingressos subiram no mundo todo.” Ela mesma não se vê desta maneira, mas Floor Jansen foi uma verdadeira benção para o Nightwish. A banda, fundada pelo compositor e tecladista Tuomas Holopainen em 1996, na cidade de Kitee, na Finlândia, enfrentou grandes problemas internos. Membros da banda e vocalistas quiseram sair ou foram expulsos do grupo. “Tuomas Holopainen é o compositor mais importante da banda,” diz Floor. “Como vocalista, sei que vou cantar as músicas que ele compor, mesmo que você mesma tenha composto a melodia. E estou muito feliz no papel que desempenho. Primeiro porque eu gosto muito do trabalho de Tuomas, pois não vejo como poderia melhorá-lo mais ainda. Mas também gosto, pois tenho espaço para acrescenter minha própria maneira de cantar, de contar aquela história como eu achar melhor. As músicas do Nightwish são compostas pensando na minha voz e técnicas de canto, o que me deixa muito feliz.”
A voz de Floor passou pelos maiores desafios que já encontrou, segundo Floor. “Hoje em dia, estou cantando notas e usando técnicas que nunca usei antes. Do nada, canto uma oitava abaixo ou acima.” O Nightwish se consolidou como um nome de peso novamente após a entrada Floor Jansen. “Se a banda ensaiasse em Nova York, nunca haveria uma vocalista”, revela Floor. “Estranho, não é? Quando me tornei a vocalista deles, eu me mudei para a Finlândia. Um dia, eu pensei: ‘Vou para o estúdio onde o pessoal está ensaiando e ver se posso me juntar a eles. Então, eu entrei, peguei o microfone e comecei a cantar. Os membros da banda olharam uns para os outros, mas eu continuei cantando. O Nightwish voltou a ser uma banda legal de se fazer parte. Nós nos divertimos muito juntos, e é isso que o público vê em nossos shows. Acabou a época em que era uma banda só de caras que procuravam uma vocalista.”
O SENTIMENTO NA MÚSICA
O disco mais novo, o Endless Forms Most Beautiful, o uma obra conceitual sobre ciência e biologia e o primeiro disco com Floor Jansen nos vocais, é, de acordo com vários fãs, o disco mais inovador do Nightwish. Ele possui mais arranjos de folk e pop do que metal, além de alguns riffs diferentes em músicas, que contam com arranjos orquestrais gloriosos. “Alguns artistas chegam a um ponto em que não se consegue criar algo tão maior ou impactante, então começam a criar música que tenha um sentimento forte”, segundo Floor.
E a música que criaram com certeza vai além dos limites de gênero e públicos-alvo. “Fãs mais novos vêm aos nossos shows. Meninas que fazem de tudo para se encaixar no padrão estético aparentemente comum no metal sinfônico. Mas também temos pessoas na faixa dos cinquenta anos. Homens com óculos de leitura e roupas normais, por exemplo. Nos Estados Unidos, eu vi um homem de 80 anos bem na grade, que sabia a letra de todas as músicas. Acho que a música que criamos se tornou um meio de ligar pessoas, algo muito além de um nicho ou uma subcultura.”
O fã clube italiano Nightwishers Italy realizou o mais recente MasterClass da Floor Jansen realizado no dia 6 de junho, em Roma. O “diário” deles você encontra à seguir:
Texto e imagens por Silvia Blackstar Bavaglia para o Nightwishers
Ω
A minha viagem começou às 6:30 da manhã, em um trem que ia de Milano a Roma. Quando eu cheguei lá, encontrei os membros do fã clube italiano: Lenny, Lorenzo e Mario. Fomos todos juntos à Mississippi Music School, no centro de Roma. A nossa tão sonhada masterclass com a Floor estava prestes a começar.
Ela chegou e acenou para nós, pedindo desculpas por estar um pouco atrasada (ela teve alguns problemas com o táxi e com uma visita guiada pelo Vaticano). Entramos na sala para a primeira aula, que era voltada para os iniciantes na área. Nós, moças, nos sentamos (era uma sala só de meninas), sentindo toda a empolgação e nervosismo de cantar na presença dela.
Primeiro, ela nos explicou como a aula havia sido planejada: faríamos alguns exercícios para aprendermos a cantar com o nosso diafragma, pois o ar precisa fluir lentamente pelo estômago e não pelos pulmões. Ela pediu que imaginassemos alguém nos dando um soco na barriga como uma forma de fazer o ar, a voz e a energia saírem um pouco. Este é apenas um exemplo, pois ela ainda discorreu sobre várias coisas interessantes e eu não consegui anotar tudo. Se tentasse, eu acabaria escrevendo uma trilogia de livros!
Lentamente, começamos a nos sentir mais relaxados e a Floor nos fez rir bastante, o que ajudou muito. Houve um momento engraçado em que ela nos disse para relaxar, mas não apenas o nosso corpo e sim o nosso rosto. Ela puxou as bochechas de lado e imitou o quadro “O Grito”, de Munch. Então, começamos o exercício prático com escalas de melodia e exercicios práticos de respiração.
A última parte da aula foi a mais interessante: escolheríamos uma canção para cantar.
E lá estávamos nós todos ansiosos novamente! A Floor perguntou se alguém se disporia a ser a primeira pessoa a cantar.
Eu me imaginei na pele de Katniss Everdeen, de Jogos Vorazes, falando “Eu me voluntario como tributo!” Calmamente, levantei a minha mão, dizendo que gostaria de tentar.
A Floor respondeu que essa era uma ótima atitude, já que eu estava lá para aprender.
Eu estava conectando o meu celular ao hi-fi, quando o instrumental de “Elan” começou a tocar no talo e todos começaram a rir.
A Floor quis saber por que eu havia escolhido aquela música em especial. Havia tantos motivos, como o ritmo alegre, como a música me faz feliz, como ela reflete quem eu sou… mas o que eu disse foi apenas “É a primeira música que você lançou com o Nightwish!”. Que tosco! Fiquei com vergonha!
Cantar na frente dela me deixou muito nervosa. Senti a minha voz ficar fraca e o meu corpo tremer. Ainda assim, ela foi super paciente e gentil: ela explicou os erros que eu cometia e me deu alguns conselhos para melhorar o meu canto. Eu deveria cantar com mais suavidade. Ela, inclusive, me mostrou como colocar esse conselho em prática colocando o meu dedo atrás dos meus dentes caninos. Dessa maneira, eu só conseguiria abrir a minha boca até onde o meu dedo indicador fosse e, então, eu consegui relaxar os músculos do rosto. Mas não foi nada fácil, porque eu ainda a estava olhando nos olhos e cantando a música dela!
No fim das contas, deu tudo certo. Eu preciso trabalhar nisso, em relaxar o corpo e os músculos do rosto. Esta parte também foi útil para as outras meninas, pois cada um tem um estilo de canto diferente e todas puderam aprender algo. Ter uma aula assim ajuda todos a aprenderem algo novo! No fim da masterclass, tivemos algum tempo para tirar fotos e conseguir autógrafos. Além disso, muitos de nós haviam trazido presentes para a Floor. Nossa professora foi muito gentil e cuidadosa com todos nós, além de ficar feliz ao receber o bolo de frutas com cappuccino vegetariano que eu fiz para ela.